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Vox, o dinheiro escondido do neo-franquismo

O Vox é financiado por empresários que não querem dar a cara pela extrema-direita. Por isso, e para contornar a lei que limita os montantes de financiamento, a direção do partido deu orientações aos dirigentes locais para utilizarem testas de ferro que serviam para esconder o rasto do dinheiro.
Foto de wikicommons

O golpe mais sério na credibilidade do partido neo-franquista veio de dentro. Ex-dirigentes do partido acusam-no de camuflar doações de empresários que ultrapassam os máximos legais. Afirmaram à rede de televisão cadena Ser que receberam instruções para contabilizar os donativos em nome de testas-de-ferro, seus familiares e simpatizantes. Por exemplo, o ex-vice-Presidente do partido em Badajoz, implica diretamente o seu vice-Presidente, Víctor González Coello de Portugal, que terá indicado que os donativos de empresários deveriam chegar por “via indireta”, “sem que a sua identidade fosse exposta”.

Outro ex-alto responsável Daniel Molina, que foi presidente do Partido em Toledo, corrobora e especifica que se recusou a contabilizar dessa forma um donativo de um empreiteiro da sua região, apesar da direção ter dado indicações para branquear o dinheiro.

Recorde-se que o vice-Presidente do Vox, que é o responsável financeiro do partido, está impedido por sentença judicial de administrar bens alheios e de “representar ou administrar para qualquer pessoa”, segundo uma sentença do Supremo Tribunal na sequência de “irregularidades relevantes” na empresa Marmolería Leonesa que detinha e de que era administrador.

Também os dinheiros do presidente do partido têm sido colocados em causa. Santiago Abascal foi dirigente, em 2013, de uma fundação financiada pela região de Madrid, dirigida pelo PP por intermédio da sua amiga e protetora Esperanza Aguirre. A Fundação para o Mecenato e o Patrocínio Social, uma entidade opaca que, apesar de não ter apresentado contas à entidade fiscalizadora entre 2001 e 2015, sabe-se agora, tinha um orçamento de 252.818 euros, dos quais a região de Madrid financiava 183.600. Tinha só um trabalhador. E, para além dele, Abascal Conde, o seu diretor, recebia 82.491,80 por ano. Porém, de acordo com os relatórios requeridos pelo Podemos, esta fundação não fez nada daquilo a que se propunha. A única atividade concretizada foi a atribuição de uma bolsa financiada por uma agência de notícias. Esta fundação dissolveu-se no mesmo dia em que o Vox foi fundado.

Escolhas franquistas

Outra das polémicas que envolve o Vox reside na sua escolha de candidatos às próximas eleições. Em Albacete, apresenta Fernando Paz, caracterizado pelo jornal El País como “pseudo-historiador negacionista e homófobo”. Paz é autor de um livro em que questiona a legitimidade dos julgamentos de Nuremberga, nos quais foram acusados os dirigentes nazis responsáveis pela IIª Guerra Mundial, chegando a dizer que estes têm “um certo ar de farsa”.

Para além disso, apesar de dizer sobre o Holocausto que “é inegável a organização de matanças de judeus” afirma também que “é um tema permanentemente sob suspeita” e que “está longe de se ter fixado com precisão o que verdadeiramente sucedeu”, alegando que a maior parte dos assassinatos teria sido perpetrado pelas populações do leste europeu, não em câmaras de gás mas devido a armas de fogo.

Para além disto, há várias declarações homófobas de um candidato que twittou sobre a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo na Irlanda que “o Ocidente precipita-se para o abismo.”

Mas as estrelas mais recentes da candidatura são quatro generais reformados ultra-conservadores. Alberto Asarta, em Castellón, Agustín Rosety, em Cádiz, Manuel Mestre, em Alicante e Fulgencio Coll, em Palma de Mallorca. Alberto Asarta foi responsável pela missão da ONU no Líbano e é signatário de um manifesto a favor de Franco feito por uma associação de militares de extrema-direita que defende a atuação do ditador na guerra civil. Também o candidato por Cádiz, Agustín Rosety, subscreveu o mesmo manifesto. Rosety defendeu uma intervenção militar para resolver a questão catalã.

Declarações intolerantes

Iván Espinosa de los Montero, outros dos principais dirigentes do Vox, em entrevista à cadeia de televisão Antena 3, afirmou que “seria precisa estudar se certos partidos políticos têm o direito a estar no jogo político, os que não crêem na unidade de Espanha e os que não renunciem ao marxismo”, termo no qual inclui o Podemos, classificando-os como “perigosos” e “inimigos de Espanha”.

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