A presidente da Comissão Europeia diz que a Europa se deve concentrar “na realidade da situação”, colocando sobre o Irão o peso do conflito e omitindo a agressão ilegal e inicial dos Estados Unidos da América e de Israel. É o anúncio de uma doutrina de política externa que rompe com o direito internacional.
“Defenderemos e apoiaremos sempre o sistema baseado em regras que ajudámos a construir com os nossos aliados, mas não podemos continuar a confiar nela como a única forma de defender os nossos interesses”, disse Von der Leyen.
Entre anúncios de que “devemos estar preparados para projetar o nosso poder de forma mais assertiva”, a presidente da Comissão Europeia diz que “a Europa não pode continuar a ser a guardiã da velha ordem mundial”.
“A segurança deve tornar-se o princípio organizador da nossa ação. Deve ser a nossa mentalidade por defeito”, afirmou. “O impacto a longo prazo já está a colocar questões existenciais sobre o futuro do nosso sistema internacional baseado em regras ou sobre a forma como a Europa encontra unidade nestas situações”.
O apelo de Von der Leyen a uma política externa “mais realista e focada em interesses” é um compromisso contra o direito internacional, que tem merecido contestação de vários políticos europeus.
Catarina responde a von der Leyen: “Faça o seu trabalho”
Numa mensagem gravada nas redes sociais, a eurodeputada do Bloco de Esquerda resumiu assim a mensagem da presidente da Comissão aos europeus: “habituem-se a uma nova ordem mundial do caos e da lei do mais forte”.
Catarina Martins contraria von der Leyen e diz que “não é verdade que se tenha tentado tudo para defender uma ordem mundial baseada no direito internacional”, pois a Comissão “não condenou o genocídio em Gaza e mantém o acordo de associaçãoUE/Israel”, não teve “uma única iniciativa diplomática forte para travar a guerra na Ucrânia e continua subserviente a Donald Trump e aos EUA porque é incapaz de dizer uma coisa tão óbvia como ‘os ataques contra o Irão são ilegais’”.
Por outro lado, acrescentou Catarina, “mão é a presidente da Comissão Europeia que determina a política externa da UE e dos estados-membros e muito menos diz aos povos o que querem. Eu tenho a certeza de que os povos querem paz e não querem habituar-se ao caos”.
Finalmente, a eurodeputada apela à presidente da Comissão Europeia que “faça o seu trabalho”, porque os tratados dizem respeitar o direito internacional e a União Europeia, “com o peso económico e responsabilidades que tem no mundo, pode e deve ser uma voz pela paz e o direito internacional”.