Volte-face grego pode acabar em governo de coligação

03 de novembro 2011 - 18:30

O primeiro-ministro grego voltou atrás na ideia de fazer um referendo e quer agora negociar com a oposição de direita a formação dum novo governo que receba a próxima tranche do empréstimo da troika e se comprometa com o pacote de assistência aprovado em Bruxelas.

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Papandreou vai amanhã tentar sobreviver a uma moção de confiança no Parlamento grego. Foto WEF/Flickr

Depois de ter ouvido as críticas de Merkel e Sarkozy, ao ser chamado a Cannes na terça-feira a explicar-se sobre o referendo ao pacote europeu, Yorgos Papandreu voltou atrás e diz agora que "o referendo em si não era um objectivo". Depois de reunir o Conselho de Ministros com urgência, durante o qual não faltaram rumores sobre a eventual demissão de Papandreu, o primeiro-ministro diz que quer negociar com o maior partido da oposição a aprovação do plano de resgate decidido na recente cimeira europeia. Sem esta aprovação, os oito mil milhões da sexta tranche do empréstimo da troika continuarão congelados.



O dia foi muito agitado no interior do PASOK, com muitas vozes dissonantes da de Papandreou quanto à questão do referendo. A mais influente foi a do ministro das Finanças, que considerou a pertença ao euro como "uma conquista histórica" dos gregos e que nunca devia ser referendada. O sentimento geral, mesmo nos que eram contra o referendo, foi de indignação com os termos do discurso dos líderes francês e alemã.



"Até nos disseram como é que devemos fazer o nosso referendo, quais são as regras… Podemos estar sob supervisão económica, mas as instituições democráticas são as nossas", disse o primeiro-ministro no seu discurso aos deputados socialistas esta quinta-feira, véspera da votação da moção de confiança ao seu governo. O jornal Athens News contabilizou 151 deputados a favor do governo, o que lhe garantiria a maioria necessária por apenas um voto.