Este sábado, o MSC Orchestra, um navio de cruzeiro com 60 metros de altura, 293 metros de comprimento, 32 metros de largura e pesando 92.409 toneladas, entrou pelos canais de Veneza. É o primeiro a fazê-lo depois de um interregno de cerca de 18 meses devido à pandemia. Oficialmente, tinha à sua espera faixas que diziam “sejam bem-vindos de volta cruzeiros” e duas dezenas de barcos com funcionários do porto a celebrar.
Mas a receção mais marcante foi feita por centenas de manifestantes em terra e pela escolta de dezenas de outras pequenas embarcações com bandeiras a dizer “não aos grandes barcos”. Regressa assim em força o movimento em defesa da lagoa de Veneza.
Os problemas ambientais são reconhecidos por várias instâncias. A UNESCO condicionou até a manutenção de Veneza na lista de cidades Património Mundial da Humanidade ao encerramento do tráfego das grandes embarcações neste ecossistema frágil. Isso mesmo promete que irá acontecer o primeiro-ministro italiano, Mario Draghi. Em maio foi mesmo aprovado no parlamento um decreto que prevê a construção de portos alternativos. Mas é uma solução que demorará vários anos.
A organização “No Grandi Navi” pensa que o ambiente não pode esperar tanto e organizou o protesto de sábado. E a Associação Ambiental de Veneza ameaça interpor uma ação em tribunal se não forem tomadas medidas para banir estes barcos na lagoa. À Associated Press, Andreina Zitelli, deste organismo, considera que a passagem do navio foi “uma grande provocação” e que em causa está a “defesa da cidade”.
Veneza é um dos principais destinos de cruzeiro do mundo. Em 2019, 667 cruzeiros com um total de 1,6 milhões de passageiros, de um total de 25 milhões de turistas, atracaram na cidade dos canais segundo números da Cruise Lines International. 1.700 trabalhadores dependem diretamente do seu tráfego.