O ministro Luís Amado recebe esta quarta-feira, em representação do governo português, o Ministro dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação do Reino de Marrocos, Taïb Fassi-Fihri.
Esta visita é considerada “especialmente inoportuna” pelo Bloco de Esquerda, tendo em conta “o clima de tensão, violência e recomposição política que se vive no norte de África” e que se estende a Marrocos, “como demonstraram as grandes manifestações ocorridas este fim-de-semana em, pelo menos, 12 cidades do país, reclamando uma constituição democrática e o fim da monarquia absoluta de Mohamed VI”.
Num comunicado emitido na passada terça-feira, o Bloco de Esquerda lembra que, “ainda este fim-de-semana, o governo marroquino aumentou de forma muito significativa a presença militar em El Aiún, a capital do Sahara Ocidental ocupado”, onde, em Novembro de 2010, “o exército marroquino desmantelou brutalmente o Acampamento da Dignidade de Gdeim Izik originando a morte de, pelo menos, 11 pessoas e centenas de feridos e de desaparecidos”.
Para o Bloco, é “inadmissível o silêncio do Governo português acerca das sistemáticas violações dos direitos humanos do povo saharaui por parte do reino de Marrocos”, entre os quais o seu direito à autodeterminação, à liberdade de expressão e de associação, e a “sistemática discriminação socioeconómica do povo saharaui”.
No comunicado, é ainda denunciada a complacência de Portugal com Marrocos, sendo que, “na União Europeia, Portugal tem compactuado com o acordo de pescas, celebrado em 2006 com Marrocos, que resulta na espoliação dos recursos naturais saharauis”, e tem participado em exercícios militares conjuntos com a Marinha Real Marroquina “em águas contíguas e pertencentes aos territórios do Sahara Ocidental”.
O Bloco de Esquerda manifesta, por fim, a sua saudação e o seu apoio ao “movimento pacífico do povo marroquino e saharaui em prol da democracia, da liberdade, pela dignidade e justiça e insta o Estado Português a adoptar uma postura de defesa do direito internacional”.
Associação de Amizade Portugal – Sahara Ocidental apela a referendo
A Associação de Amizade Portugal – Sahara Ocidental já emitiu um comunicado no qual defende que “Portugal deve apoiar-se nos laços de amizade que tem forjado com o povo marroquino, assim como na autoridade moral e na competência diplomática que granjeou no processo de libertação de Timor-Leste, para aplanar o caminho que levará as negociações entre a Frente POLISARIO e o Reino de Marrocos a bom porto – ou seja, à concretização de uma consulta popular ao povo saharaui, livre e justa”.