Os números referentes à violência doméstica constam do relatório da Direcção Geral da Administração Interna (DGAI), apresentado esta quarta-feira em Lisboa, segundo o qual foram registadas pela PSP e GNR 31.235 queixas.
A violência doméstica é assim o terceiro crime mais registado em Portugal, a seguir aos crimes de “furto” e “furto em veículo motorizado” e, apesar de brutais, os números poderão esconder uma realidade ainda mais perturbadora. Segundo afirmou a secretária de Estado da Igualdade, Elza Pais, durante a apresentação do relatório da DGAI, “estes números representam 40 a 50 por cento da dimensão real da violência doméstica”.
86 queixas por dia
Em 2010 foram registadas 86 queixas de violência física ou psicológica por dia, correspondendo a uma média de 4 queixas por hora. Comparativamente a 2009, registou-se um aumento de 2,3% de participações, tendo a PSP registado menos 2,7% de queixas e a GNR um aumento de 10,4% de denúncias.
A maioria das vítimas são mulheres (85,1%), entre os 25 e 65 anos (77,1%), casadas (46,4%) e a maior parte das denúncias registadas (63,7%) são entre casados, unidos de facto ou namorados, tendo as agressões ocorrido na sua maioria na residência da vítima (80,1%).
Segundo o relatório da DGAI, 18 pessoas terão morrido vítimas deste tipo de violência. Contudo, de acordo com os números divulgados pelo Observatório de Mulheres Assassinadas, da UMAR, em 2010 39 mulheres perderam a vida, vítimas de violência doméstica.
Bloco defende Juízos Especializados
Helena Pinto comentou os números do relatório da DGAI afirmando que o “grande problema de segurança que o nosso país tem chama-se violência doméstica e tem marca de género”. A deputada bloquista reafirmou ainda a “insistência do Bloco nos Juízos Especializados” como forma de combater este flagelo.