Extrema-direita

Vice do Chega enviou mensagem de apoio a grupo investigado por discurso de ódio

10 de novembro 2025 - 11:14

A mensagem de Pedro Frazão foi lida no encontro do grupo supremacista Reconquista, ao qual se referiu como “aliados” do Chega. A pouca distância do evento decorreu um festival de música organizado pelos neonazis do Blood & Honour.

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Pedro Frazão
Pedro Frazão

A cidade da Maia foi este fim de semana o centro da atividade de grupos da extrema-direita que estão na mira da Polícia Judiciária. Depois de ver cancelado o seu evento no Porto por parte dos donos do auditório do colégio Luso-Francês, o grupo supremacista Reconquista juntou-se no pavilhão desportivo do Maia Sport para um congresso com a presença de dirigentes da AfD alemã e outras figuras com simpatias neonazis de vários países.

Segundo o Expresso, o momento alto do dia foi quando passou nos ecrãs a mensagem enviada por Pedro Frazão, deputado e vice-presidente do Chega. Frazão referiu-se ao grupo como “aliados” do Chega e “uma das casas da direita cristã patriótica em Portugal”. A uma plateia composta quase exclusivamente por homens, o membro supranumerário da Opus Dei deixou a mensagem de que o maior desafio do seu campo político é “garantir o futuro do nosso povo através da remigração”, uma das bandeiras do grupo que defende a deportação forçada dos imigrantes e seus descendentes que vivem e trabalham em Portugal.

O Jornal de Notícias dá conta da presença do assessor parlamentar Francisco Araújo, também deputado municipal em Guimarães, que já discursou num dos congressos do Reconquista e está referenciado desde 2023 num relatório do GPAHE sobre discurso de ódio. 

O Reconquista é um dos grupos na mira da Polícia Judiciária por causa da difusão do discurso de ódio que tem como alvo não apenas os imigrantes mas também as mulheres, às quais o seu líder Afonso Gonçalves defende que deve ser retirado o direito de voto. Gonçalves ganhou projeção com vídeos provocatórios nas redes sociais a difundir mensagens de ódio racial em locais como templos religiosos e mesquitas, numa concentração de imigrantes junto à AIMA ou na Rua do Benformoso, em Lisboa.

O outro evento da extrema-direita neonazi na Maia este fim de semana foi o festival do grupo internacional Blood & Honour, agendado para sexta e sábado. O Expresso noticiou que vários elementos deste grupo violento e que é considerado terrorista em vários países se fizeram fotografar no Porto antes do evento, vindos de países como a Suécia, França, Alemanha, Suíça e Polónia.

Os eventos musicais com bandas que difundem a mensagem nazi e racista são uma das fontes de rendimento deste grupo, que também se dedica à extorsão e ao tráfico de droga. Foram membros dos Blood & Honour que participaram no ataque no dia 10 de junho ao ator Adérito Lopes, do Teatro A Barraca. No grupo estavam três dos condenados com penas mais pesadas pelo assassinato de Alcindo Monteiro e um dos condenados pelo envolvimento no assassinato do dirigente do PSR José Carvalho em 1989. O mesmo grupo tinha horas antes insultado o sheik David Munir quando discursava na cerimónia no Monumento aos Combatentes do Ultramar. E antes das agressões ao ator, espalhou autocolantes do Reconquista nas imediações do teatro.

Este grupo mereceu destaque no último Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) no capítulo ‘Extremismos e Ameaças Híbridas’ que acabou por desaparecer na versão final e cujo “apagão” nunca foi esclarecido cabalmente pelo Governo. 

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