O ex-ministro do PS Armando Vara passou da administração da Caixa Geral de Depósitos para a administração do Millenium BCP em Dezembro de 2007, acompanhando o presidente Carlos Santos Ferreira (Leia notícia no esquerda.net).
Em Novembro de 2009, Vara pediu a suspensão do mandato de vice-presidente do Millenium BCP e em Julho de 2010 renunciou ao cargo, na sequência do seu envolvimento no caso “Face Oculta”. Apesar de se ter demitido em Julho de 2010, o BCP comprometeu-se então a pagar-lhe os vencimentos até Janeiro de 2011, num montante superior a 260.00 euros, já que Vara auferia 520.000 euros por ano.
A partir do dia 1 de Setembro de 2010, o ex-ministro socialista passou no entanto a ser presidente do Conselho de Administração da Camargo Corrêa África, empresa do pujante grupo brasileiro Camargo Corrêa, com negócios em vários sectores, nomeadamente nos cimentos, engenharia e construção.
Vara passará assim a dirigir os negócios daquele grupo brasileiro em Moçambique e Angola
Segundo o jornal “Sol”, a Camargo Corrêa tem em Moçambique 51% de uma cimenteira com capacidade de produção de 350.000 toneladas por ano e representando um investimento de cerca de 42 milhões de euros. Ainda em Moçambique a empresa brasileira detém um contrato para construir a barragem de Mphanda Nkuwa e actua, também no ramo da construção civil, no projecto de uma mina de carvão da empresa brasileira Vale.
Em Angola, a Camargo Corrêa actua também na construção civil e no sector imobiliário e no início de 2010 anunciou a construção de uma cimenteira, um investimento de 200 milhões de dólares, em parceria com a empresa angolana Gema e a Escom, do grupo Espírito Santo.
Armando Vara é acusado no processo “Face Oculta” de ter recebido do sucateiro Manuel Godinho 25.000 euros e prendas de luxo, em contrapartida de ter exercido influências junto do ex-ministro das Obras Públicas Mário Lino.