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Vacina covid-19: os contratos com farmacêuticas continuam secretos, alerta Marisa Matias

Como está o dinheiro público a ser utilizado? Porque razão todos os contratos entre a Comissão Europeia e as farmacêuticas permanecem secretos? São algumas das questões colocadas no Parlamento Europeu que continuam sem resposta.
Foto via Gue/NGL.

Quanto iremos pagar pela vacina Covid-19? Como está o dinheiro público a ser utilizado? Porque razão todos os contratos entre a Comissão Europeia e as farmaceuticas permanecem secretos? Porque razão os resultados de investigação com fundos públicos é utilizada para proveito da indústria e não do público? Deverá uma vacina ser um bem público?

Estas foram apenas algumas das questões que os eurodeputados do Grupo da Esquerda Unida/Aliança Norte Verde, Katerina Konecna (KSČM, República Checa), Marc Botenga (PTB, Bélgica) e Marisa Matias, lançaram na terça-feira às multinacionais farmacêuticas e aos grupos de interesse que as representam em Bruxelas.

Apesar de ser a terceira audição com estas entidades, agora com os presidentes das farmacêuticas, “não conseguimos resposta para as nossas questões”, declaram os eurodeputados em comunicado.

Algumas empresas, como a Astra Zeneca, que receberam centenas de milhões de euros de financiamento público através da Comissão Europeia e vários estados-membros, recusaram-se sequer a aparecer para responder ao Parlamento Europeu.

As poucas respostas que deram na audição “levantaram mais preocupações”, dizem ainda. “Não haverá transparência para os acordos de aquisição da vacina da Covid-19 antes de serem todos concluídos e finalizados”, criticam os eurodeputados.

Os estados-membros “irão pagar compensações pelos defeitos nas vacinas desconhecidos ao invés das farmacêuticas e ninguém questiona sequer a presença de organismos geneticamente modificados na vacina”, alertam ainda.

Na audição, o chairman da Curevac considerou ser “normal” que o público assuma o risco sanitário e financeiro caso a vacina não seja bem sucedida.

O diretor da MSF Access Campaign [Campanha pelo Acesso a Medicamentos Essenciais], Signey Wong, alertou para as consequências da privatização do conhecimento público através das patentes que, ao invés de incentivarem inovação, “acabam por travar a investigação e acessibilidade da vacina”. Propõe por isso que se implementem licenças não-exclusivas.

 

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