O filme, exibido no âmbito de um processo de queixa contra o exército do Reino Unido (uma das forças da NATO no Iraque, desde a invasão pelo EUA), iniciado por mais de 200 ex-reclusos, foi captado num centro de interrogatórios secreto, perto de Bassorá, em 2007. Já foi considerado "o Abu Ghraib britânico" e é apenas um de 1253 registos em vídeo, feitos pelos próprios interrogadores, adianta o jornal britânico.
Os ex-prisioneiros apresentaram provas de agressão, fome, privação do sono e ameaças de execução. Segundo o mesmo jornal, alguns eram mantidos ajoelhados durante 30 horas, fechados em celas de um metro quadrado e submetidos a choques eléctricos. Há também ex-reclusos que referem humilhação sexual cometida por membros femininos do exército britânico.
No vídeo, os soldados gritam com um prisioneiro e ameaçam-no de morte, ignorando as suas queixas de fome, sede e falta de sono.
As imagens são intercaladas com a análise do médico Brian Fine, da Medical Foundation for the Care of Victims of Torture, que explica como aqueles procedimentos extremamente violentos, ao nível físico e psicológico, constituem práticas de interrogatório baseadas no princípio da tortura.
A divulgação deste vídeo vem agravar a consternação causada pela morte, por tortura, de Baha Mousa, um recepcionista de hotel capturado pelo exército britânico em Setembro de 2003. Pelo menos outros três terão morrido enquanto estavam sob responsabilidade dos militares do Reino Unido. A morte de Mousa não levou a uma alteração nos métodos de interrogatório, que violam, claramente, as convenções de Genebra.
Os advogados de acusação exigem uma investigação pública que determine não só a totalidade dos abusos como os responsáveis pelos mesmos. No entanto, o ministro do Exército, Nick Harvey, do partido Liberal Democrata e que foi contra a invasão do Iraque, agora defende uma investigação interna a cargo do Governo, citando razões logísticas e de custo.
O exército já levou a cabo uma investigação, em 2008, mas de apenas seis casos. Na altura, concluiu tratar-se de situações isoladas, algo que estes novos dados tornam suspeito e descredibilizam completamente.
O vídeo encontra-se disponível aqui.