Estas greves têm um ponto comum: o protesto contra a redução do pagamento das horas extraordinárias e do trabalho em dias feriados.
A greve dos trabalhadores da administração local às horas extra e aos feriados, por tempo indeterminado, abrange todos os trabalhadores do setor da administração local, ou seja, funcionários das câmaras, das juntas e de empresas municipais, associações e Sapadores Bombeiros e Polícia Municipal. A greve destes trabalhadores costuma ter particular impacto no setor do lixo.
À agência Lusa, o vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local (STAL), José Correia, disse que esta greve às horas extraordinárias e feriados pode prolongar-se por "todo o ano". José Correia frisa que com esta greve os trabalhadores pretendem "demonstrar um descontentamento latente" quanto à redução do valor do trabalho extraordinário, que, com a entrada em vigor do Orçamento do Estado para o próximo ano "fica equiparado ao valor normal do trabalho". José Correia alerta também para a possível diminuição da qualidade dos serviços prestados à população na administração local, uma vez que sem novas contratações e com a redução do valor do trabalho extraordinário é "possível que certos serviços entrem em rotura", da jardinagem ao lixo, das brigadas da água à proteção civil.
Sublinhando que "a imposição da redução do número de trabalhadores nas câmaras municipais tem um impacto brutal em todos os serviços prestados à população”, José Correia considera que estas medidas constituem uma "tentativa deliberada de privatizar" serviços municipais, porque as autarquias têm de recorrer a empresas externas para realizar esses trabalhos.
Quanto à greve nos comboios, a administração da CP alertou no último dia do ano que no dia 1 de janeiro de 2013 a maioria dos comboios seria suprimida devido à greve dos trabalhadores da CP e da Refer. Até às 14 horas do primeiro dia de 2013 circularam apenas cinco comboios no país e, ao longo de todo o dia, só deverão circular oito comboios no total. Os comboios começaram a parar a partir das 18 horas do último dia de 2012 e a greve deverá ainda afetar a circulação de comboios no dia 2 de janeiro.
Em declarações à Lusa, o presidente do Sindicato Nacional dos Maquinistas (SMAQ), António Medeiros, disse que o pré-aviso de greve ao trabalho extraordinário se prolonga até 31 de janeiro. O SMAQ espera que com uma nova administração na empresa pública seja possível “encontrar uma solução de consenso”, enquanto a administração prevê que a greve entre 2 e 31 de janeiro leve a uma redução na realização de comboios dos Serviços Urbanos de Lisboa e Porto, muito em particular no período da manhã.
O motivo desta greve e das que têm afetado o setor dos transportes é o novo Código do Trabalho, que entrou em vigor a 1 de agosto de 2012.
Com as mudanças do Código de Trabalho, o pagamento das horas extraordinárias foi reduzido para metade. Na primeira hora extra, o valor a pagar terá um acréscimo de 25 por cento (contra os anteriores 50 por cento) e de 37,5 por cento nas horas seguintes (contra os anteriores 70 por cento).
Caso o trabalho suplementar seja realizado ao fim de semana ou feriado, o trabalhador ganha apenas 50 por cento, contra os anteriores 100 por cento. O trabalho extraordinário deixa também de dar direito a descanso compensatório o que, até ao dia 1 de agosto, representava 25 por cento de cada hora de trabalho suplementar.