O projeto SAFIRE (Abordagem Científica à Luta contra o Extremismo Radical) é pago pelos contribuintes europeus para dar aos governos, militares e agências de segurança privada o resultado da investigação sobre processos de radicalização com potencial violento. Para o Comité de Solidariedade com a Palestina, que promove o abaixo assinado, "a cooperação com uma academia especializada em “anti-terrorismo”, como a ISCA, consiste em dar a mão ao próprio aparelho repressivo sionista".
Para além do ISCA e da Universidade de Coimbra, estão envolvidas no Projeto Safire outras oito instituições da Holanda, França e Itália. O custo total do projeto estava orçado em 3.68 milhões de euros e o financiamento europeu cobre 2.91 milhões. A sua duração é de 42 meses, tendo começado em junho de 2010 e com fim agendado para novembro de 2013.
O abaixo-assinado começa por recordar a ilegalidade da ocupação israelita e as condições a que se sujeitam os estudantes universitários: "Em Abu Dis, por exemplo, o muro passa pelo meio do campus da universidade e atravessa o campo de futebol. Os estudantes universitários muitas vezes não conseguem chegar às suas universidades, o que acontece frequentemente em Birzeit. Estudantes árabes israelitas não podem apresentar teses relacionadas com a Naqba".
A campanha BDS (Boicote, Desinvestimento e Sanções a Israel) começou em 2005 e é semelhante àquela que ajudou a derrotar o regime de apartheid na África do Sul. Os promotores da iniciativa destacam o recente apoio à campanha por parte da Universidade de Joanesburgo, na África do Sul, "que cortou todas as suas ligações com a Universidade israelita Ben Gourion".
"Se a cooperação com instituições oficiais israelitas no âmbito universitário é já de si condenável e merecedora de boicote, a cooperação com uma academia especializada em “anti-terrorismo”, como a ISCA, consiste em dar a mão ao próprio aparelho repressivo sionista", acusa o documento. Para os subscritores, "esta “academia” situa-se no coração da história mais sanguinária de Israel e procura branquear a sua imagem cooperando com uma academia portuguesa que em 1969 sofreu os rigores da repressão fascista".
Com esta campanha, os promotores esperam que se repita a vitória conseguida no ano passado, quando o Festival de cinema Queer Lisboa desistiu de aceitar o habitual apoio da embaixada de Israel.