UNESCO suspende programas após bloqueio dos EUA

10 de novembro 2011 - 18:53

Os Estados Unidos retaliaram contra a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, cortando-lhe o apoio financeiro após os seus membros terem votado favoravelmente a entrada da Palestina. A UNESCO anunciou agora que terá de suspender a execução dos programas previstos até ao fim do ano.

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A directora-geral da UNESCO, Irina Bokova, diz que a "situação é difícil" após o corte das verbas dos EUA, o que já aconteceu no passado entre 1984 e 2003. Foto Serviço Informativo da ONU - Genebra

"A situação - e peso bem as palavras - é difícil", disse a a directora-geral da UNESCO, Irina Bokova. O peso do contributo de 44 milhões de euros dos EUA representa 22% do orçamento da organização. Também Israel, que contribui com 1,46 milhões, suspendeu o seu contributo para a UNESCO.



Segundo o jornal Le Monde, para o biénio 2012-1013, a UNESCO terá um défice de tesouraria de 105 milhões de euros. Os dois cenários previstos são o de aumentar os contributos dos restantes Estados-membros ou procurar outras fontes de financiamento com a abertura de um fundo de urgência aberto aos donativos de particulares e instituições.



Na véspera do anúncio, Irina Bokova explicou à IPS que “os fundos norte-americanos são usados para criar e manter meios de comunicação livres e competitivos no Iraque, Egipto e na Tunísia. No Afeganistão, a sua contribuição ajuda a ensinar a ler e escrever milhares de oficiais da polícia”.



Os Estados Unidos alegam que são obrigados a cumprir duas leis do país que proíbem colaborar com a Organização das Nações Unidas (ONU) ou qualquer das suas agências que aceitarem a Palestina como Estado independente. Já em 1984, os EUA tinham abandonado a UNESCO em protesto contra o rumo da discussão que levaria à aprovação da Convenção da Diversidade Cultural por defenderem, por oposição a esta, o livre mercado cultural apoiado nas regras do comércio internacional.