O economista, presidente da Foundation On Economic Trends, apresentou o conceito de III Revolução Industrial em conferência de imprensa antes do Conselho Europeu da próxima sexta-feira dedicado à política energética da União.
Rifkin entende que as mudanças na energia e nas comunicações geram revoluções na economia e dá exemplos. Assim, a primeira revolução industrial terá juntado a imprensa e a literacia com o carvão e os carris, e a segunda-feira combinou o telégrafo e o telefone com o motor de combustão e o petróleo. A tecnologia disponível permite uma nova revolução. “Vamos aproveitar a tecnologia da internet para que as redes energéticas ajam da mesma forma” apelou, referindo-se a partilha peer to peer de energia entre pequenos produtores ou armazenamento em caso de sobreprodução.
A terceira revolução passaria por cinco pilares. A mudança para as energias renováveis; transformar os edifícios em micro-fábricas de energia; difundir o hidrogénio e outras tecnologias de armazenamento em cada edifício; utilizar a tecnologia da internet para transformar a rede energética numa interrede que actue da mesma forma; electrificar a frota de transporte e transforma-la em células de combustível que podem comprar e vender electricidade numa rede inteligente, numerou Rifkin.
O autor do livro “O Sonho Europeu” deixou ainda uma mensagem para a próxima reunião do Conselho. O Parlamento produziu uma visão energética e a Comissão lançou os seus componentes, o que é necessário agora é junta-los, os pilares não se podem desenvolver separadamente. “É necessária a simultaneidade do desenvolvimento dos cinco pilares e que sejam aplicados em toda a União ao mm tempo”.
“Há uma enorme discrepância entre a proposta do Conselho de dia 4 e as possibilidade que temos à nossa frente” reforçou Marisa Matias, para quem este não é o momento para parar, nem para insistir no fracasso. “Se os líderes europeus não percebem isso, não estamos a dar a resposta que os cidadãos merecem”. A eurodeputada alertou para as carências no acesso “que não se devem à falta de energia, mas à falta de redistribuição e igualdade”. “Esta é uma oportunidade para gerar mais igualdade e redistribuição, para criar novos empregos e tentar dar uma nova energia à economia europeia” disse em relação às propostas de Rifkin, esperando que algumas delas façam parte das decisões de sexta-feira.
A conferência de imprensa contou ainda com os eurodeputados Jo Leinen (S&D), Graça Carvalho (PPE) e Claude Turmes (Verdes) e com os representantes do sector Andrea Benassi (secretário geral da YEAPME, que representa as pequenas e médias empresas), das cooperativas Klaus Niederlander, (Director da Cooperatives of Europe) e Monique Goyens (Directora BEUC, European consumers org).
Artigo publicado no portal do Bloco de Esquerda no Parlamento Europeu