Foi apresentado esta terça-feira o “Índice de Saúde Sustentável”, um estudo feito por uma escola da Universidade Nova de Lisboa, chamada “Nova Information Management School”, sobre a perceção dos portugueses do Serviço Nacional de Saúde. Este mostra que durante o ano de 2022, 89% dos portugueses terão tomado algum medicamento prescrito por um médico. Mas 10% deixaram de comprar pelo menos um dos medicamentos que lhe tinha sido receitados devido ao custo.
O mesmo trabalho mostra que uma maioria de utentes considera o que é pago ao utilizar o Serviço Nacional de Saúde adequado. Isto apesar de existir uma perceção exagerada dos custos das taxas moderadoras. As consultas de clínica geral/médico de família em centro de saúde não são pagas, mas muitos utentes pensam que custam cerca de três euros. Tal como pensam que consultas externas e de especialidade nos hospitais públicos custam sete euros.
Fica-se ainda a saber que mais de 60% julga que houve uma evolução positiva no SNS face ao seu estado há dez anos atrás mas, ao mesmo tempo, que 47,8% pensa que os tempos de espera das urgências pioraram, 31,3% acha o mesmo sobre o tempo de espera para cirurgias e 37,3% sobre o tempo de espera para consultas.
Uma maioria de 61,6% dos inquiridos sustenta que deverá ser prioritário investir nos profissionais de saúde, com 32,9% a dizer que se deve priorizar instalações e equipamentos. São estes, aliás, o maior trunfo do SNS de acordo com o percecionado pelos utentes: uma maioria sublinha como seu ponto forte o trabalho dos profissionais de saúde e a qualidade da informação que prestam, afirmando que estes devem ser valorizados.
Porém, satisfação e confiança no SNS e perceção da qualidade de serviços caíram face ao ano passado. Para além dos tempos de espera, há críticas sobre a facilidade de acesso a cuidados de saúde, ou seja sobre marcações e admissão, realização de atos médicos, infraestruturas e equipamentos.
O estudo avalia também um retorno de 7,8 mil milhões de euros do investimento no SNS, dado o impacto no absentismo e produtividade, subindo 300 milhões relativamente a 2021. Estima-se que os cuidados de saúde prestados pelo SNS terão permitido evitar ausências no trabalho equivalentes a 1,6 dias e 9,9 dias de trabalho perdidos em termos de produtividade.