No Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, o Observatório Nacional de Luta Contra a Pobreza da EAPN Portugal / Rede Europeia Anti-Pobreza analisou os dados da situação portuguesa em 2022, concluindo que um quinto da população está ou em situação de risco de pobreza (com um rendimento inferior a 551€ mensais) ou em privação material e social severa ou vive em agregados onde se trabalhou em média menos de 20% do tempo de trabalho potencial (intensidade laboral muito reduzida).
O documento citado pela Rádio Renascença reconhece que "há um empobrecimento da população causado pelo aumento do custo de vida e das taxas de juros que é invisível nos dados oficiais”. E acrescenta que “quanto menor o rendimento do agregado familiar, maior será o peso que os custos com habitação, com energia e com alimentação terão no orçamento familiar”, justamente os mais penalizados pela inflação em Portugal.
“Por muito que os números oficiais nos digam que a taxa de risco de pobreza não aumentou sabemos que a situação nacional não é otimista”, diz a Rede Europeia Anti-Pobreza, acrescentando que mesmo medidas como a anunciada subida do salário mínimo "não permitem fazer face às despesas mais básicas das famílias, contribuindo assim para o agravamento do número de trabalhadores pobres que existe em Portugal”.
Os desempregados continuam a ser o grupo mais vulnerável (60,1%) ao risco de pobreza e exclusão social, enquanto as mulheres e as famílias com filhos, sobretudo famílias monoparentais ou numerosas, são as que acumulam maior risco de pobreza ou exclusão social com o maior risco de pobreza monetária. Mas o risco de pobreza é uma realidade também para quem tem um emprego, com 12,2% dos trabalhadores em risco de pobreza ou exclusão social e 10.3% em risco de pobreza monetária.