Pela primeira vez, Portugal foi incluído no Barómetro Europeu sobre a Pobreza e Precariedade, um inquérito encomendado pela ONG francesa Secours Solidaire à Ipsos, com cerca de mil inquiridos em 10 países. E as respostas no nosso país acompanham o sentimento geral dos restantes europeus: o aumento dos preços levou a uma quebra do poder de compra nos últimos três anos para 55% dos portugueses e 35% consideram estar em situação económica precária, sem recursos para fazer face a uma despesa imprevista. Apenas na Moldávia (46%) e na Grécia (49%) os números são superiores. E quando inquiridos se os rendimentos da atividade profissional conseguem cobrir as despesas mensais, apenas metade dos portugueses respondem afirmativamente, tal como na Sérvia. Aqui, apenas a Moldávia tem menos respostas positivas (42%).
Apesar do sentimento dos portugueses quanto à sua vida precária não se distinguir muito de outros países na mesma situação, o mesmo não acontece com a perceção do que se passa à sua volta. Quando questionados sobre a visibilidade das pessoas em situação de precariedade no seu bairro, local de trabalho ou família e amigos próximos, os portugueses são os que menos dizem encontrar pessoas nessa situação no conjunto dos dez países inquiridos.
A par dos inquiridos franceses, com 20% de respostas afirmativas, os portugueses são os que mais admitem já terem recorrido a associações solidárias para obter apoio na alimentação ou vestuário. E 7% dos inquiridos fizeram-no nos últimos seis meses, um número igual ao da Grécia e apenas ultrapassado pelo Reino Unido (9%). E quando perguntados se estarão dispostos a intervir pessoalmente para ajudar as pessoas em situação de pobreza, é em Portugal - a par da Grécia e Sérvia - que se encontram mais respostas positivas (84%).