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Últimos sete anos foram os mais quentes desde que há registos

A agência climática europeia Copernicus divulgou os primeiros dados sobre a temperatura global no ano passado, que se encontrava 1,2ºC acima do nível pré-industrial.
Incêncio Dixie, na Califórnia. Foto CALFIRE_Official/Flickr

Segundo o jornal Guardian, os dados revelados pela agência europeia indicam que a concentração de dióxido de carbono na atmosfera atingiu níveis recorde em 2021, com 414 partes por milhão e uma taxa de crescimento constante desde 2010, apesar dos confinamentos da pandemia. A agência observou também um crescimento “muito substancial” da presença do gás metano, que contribui bastante para o efeito estufa, para valores nunca antes vistos e com uma taxa de crescimento três vezes superior à registada em 2010.

Segundo a Copernicus, 2021 foi o quinto ano mais quente desde que há registos, com os últimos sete anos a surgirem no topo da lista. E 20 dos 21 anos mais quentes ocorreram desde o ano 2000.

O arrefecimento da temperatura média global em relação aos anos anteriores deve-se à ocorrência do fenómeno climático La Niña no ano passado. No entanto, registaram-se fenómenos meteorológicos extremos, como o verão mais quente de sempre na Europa, com temperaturas recorde de 48,8ºC na Sicília, os grandes incêndios na Grécia, Itália e Turquia ou as cheias na Alemanha e Bélgica.

Do outro lado do Atlântico, as ondas de calor na Costa Oeste dos EUA e Canadá pulverizaram os anteriores recordes de temperatura, com o segundo maior incêndio florestal de sempre a atingir a Califórnia. E na China, as autoridades meteorológicas já decretaram 2021 como o ano mais quente de sempre no país e o ano com maior precipitação no norte, com as cheias na província de Henan em julho a provocarem centenas de mortes.

Ouvido pelo Guardian, o académico Rowan Sutton, da Universidade de Reading, diz que “a nível global o aquecimento pode parecer gradual, mas é o impacto dos eventos meteorológicos extremos em muitas partes do mundo que é dramático”. Para este investigador, fenómenos como a onda de calor no Canadá ou as cheias na Alemanha “são um murro na cara para fazer políticos e o público em geral acordarem para a emergência climática”.

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