Na segunda metade de 2011, a queda do PIB português, que será de 1,5% no último trimestre, só encontra resultado pior no caso do Chipre, com 1,8% de recuo, sempre em relação ao mesmo período do ano passado. Se compararmos com a Grécia, outro país a braços com a intervenção da troika e a crise política, verificamos que ali a variação negativa do PIB não foi além dos 0,7%.
Para 2012, a Comissão Europeia prevê que o PIB português caia 3% em 2012, o valor mais negativo da zona euro, e que a taxa de desemprego atinja os 13,6 por cento. No ano seguinte, a Comissão prevê que Portugal recupere apenas um terço do que perdeu em 2012, com a economia a crescer 1,1%.
Segundo estas previsões de Outono da Comissão, o primeiro trimestre de 2012 será o mais duro para a economia portuguesa, com o PIB a cair 4% no primeiro trimestre e 4,2% no segundo, face ao período homólogo do ano anterior. A confirmarem-se estas previsões da Comissão, Portugal terá nove trimestres consecutivos de quebra homóloga do PIB entre 2010 e 2012. O crescimento da economia, de acordo com estas previsões, só deverá acontecer no primeiro trimestre de 2013, com 0,3% de crescimento.
Fazendo as contas ao PIB 'per capita' português, verifica-se que se vai manter a divergência em relação à média europeia e regressará em 2013 ao valor comparativo que tinha em 1998. Este ano, o valor da paridade do poder de compra caiu para 71,3% da média da UE-15 (antes do alargamento a Leste) e em 2012 volta a cair para 69,1%. Se este valor se mantiver em 2013, como as previsões indicam, a média do poder de compra em Portugal será ultrapassada pela da Eslováquia e atrás de Portugal ficarão apenas a Bulgária, Estónia, Hungria, Letónia, Lituânia, Polónia e Roménia.
O impacto da austeridade na economia portuguesa nas remunerações pagas em Portugal em 2012 será inédito na história, com a queda do valor nominal das remunerações 'per capita' em 2,3%. Com a correcção do efeito da inflação, as remunerações vão cair 3,3% este ano, 5% em 2012 e 1,1% em 2013. Desde 1984, quando o país esteve sob intervenção do FMI, que não se via uma evolução semelhante.
No conjunto da zona euro, o ano de 2012 vai trazer um crescimento de 0,5%, alimentando assim os riscos de uma nova recessão. "A recuperação da economia da UE parou. A confiança deteriorou-se acentuadamente e está a afectar o investimento e o consumo, o enfraquecimento do crescimento global está a prender o aumento as exportações, e a urgente consolidação orçamental está a pesar sobre a procura doméstica", alertou o executivo comunitário, citado pela agência Lusa. Para 2013 está previsto que o crescimento acelere, mas não muito, estimando-se agora em 1,3% na zona euro e em 1,5% no conjunto da UE.
De acordo com estas previsões, a economia italiana deverá estancar (cresce 0,1%) em 2012, a alemã cresce 0,8%, e a francesa, espanhola e britânica logo a seguir, com 0,6%. Nos países sob intervenção da troika, não há dados para a Irlanda. Mas é possível prever que a economia grega vai cair 2,8% em 2012, menos 0,2% que a portuguesa.
Em 2012, o desemprego na Europa deverá crescer 0,1% em relação aos 10% registados este ano. Quanto à inflação, que registou o valor de 2,6% este ano, deverá baixar para 1,7% em 2012.