No Reino Unido, a Uber vai ser obrigada a atribuir o estatuto de assalariados aos seus trabalhadores, de acordo com notícia do jornal Público. Estes trabalhadores terão direito ao salário mínimo e a férias pagas.
Esta decisão é única no mundo e representa uma mudança de paradigma no funcionamento da empresa norte-americana. A Uber já anunciou que mais de 70 mil trabalhadores vão-se beneficiar desta decisão ainda hoje, quarta-feira.
O Supremo Tribunal do Reino Unido, no dia 19 de fevereiro, decidiu considerar "funcionários" todos os motoristas da Uber depois de 20 trabalhadores terem avançado com o processo.
Para além de ter direito ao salário mínimo e a férias pagas, também passarão a descontar para um plano de poupança-reforma em que a Uber também vai contribuir.
No entanto, a empresa norte-americana quer replicar na Europa o exemplo da Califórnia onde os condutores se mantêm independentes, mas recebem uma compensação.
"Há motoristas a trabalhar 15, 16, 17 horas para conseguir pôr o pão na mesa”
Em Portugal, de acordo com a denúncia do Sindicato dos Motoristas TVDE à TSF, há trabalhadores a fazerem 15 a 17 horas por dia para compensar os cortes das plataformas eletrónicas no preço das deslocações.
Uma das lutas destes trabalhadores é a criação de uma tarifa mínima para travar a enorme descida dos preços. Em declarações à TSF, António Fernandes, dirigente do sindicato, refere que a pandemia da covid-19 levou a que as plataformas reduzissem os preços das viagens para metade.
Para o dirigente, “é ridículo estes preços. É estar a gozar um pouco com o nosso trabalho. Há muitos clientes que não percebem como conseguimos sobreviver com estes preços que já incluem a comissão das plataformas. Há muitos motoristas que se sujeitam a trabalhar 15, 16, 17 horas para conseguir pôr o pão na mesa”. António Fernandes destaca a criação de “uma tarifa de referência” para que a atividade seja sustentável.
Como exemplo, um trabalhador deste sector numa viagem de 10 quilómetros antes ganhava 6 ou 7 euros, agora ganha 3.
Carlos Ramos, presidente da Federação Portuguesa do Táxi, considera que faz todo sentido que a Uber integre estes trabalhadores nos seus quadros. “Nós sempre dissemos que as plataformas são muito mais do que plataformas. São empresas de transporte e as pessoas andam a trabalhar por conta e orientação das plataformas”, afirmou.