O mês de novembro não é tradicionalmente forte para o setor do alojamento turístico, mas a pandemia fechou ou deixou vazios quase metade dos estabelecimentos, com os restantes a receberem menos de um milhão de dormidas em todo o mês, correspondendo a cerca de 415 mil hóspedes. Em termos globais, segundo a estimativa rápida divulgada pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), a quebra foi de 76,7% face a novembro do ano anterior, com as regiões de Lisboa e Algarve a sofrerem maiores quedas. Os residentes em Portugal foram responsáveis por mais de metade das dormidas registadas, contribuindo para atenuar o choque. Ainda assim, as dormidas de residentes caíram 58,6% face a novembro de 2019, dizem os números citados pela Presstur, a agência de notícias do setor.
A maior queda veio das dormidas dos não residentes, com novembro de 2020 a registar menos 85,2% do que no mesmo mês do ano anterior. Mercados importantes como o Brasil, EUA, Canadá, China e Dinamarca tiveram quedas acima de 90% e os 16 principais mercados tiveram quebras de dormidas superiores a 70%.
Com a ausência de turistas veio a quebra de receitas, acrescentou o Banco de Portugal, citado pelo Jornal de Negócios. Em novembro de 2020, os gastos feitos por turistas estrangeiros em Portugal caíram 57% face a novembro de 2019, um ponto percentual acima da queda registada em outubro. Fazendo as contas ao conjunto do ano, de janeiro ao fim de novembro, a quebra nas receitas turísticas foi de 56% face ao ano anterior, totalizando 7.658 milhões de euros. A diferença no saldo da balança de viagens e turismo, que contabiliza estas receitas e também as despesas dos turistas portugueses no estrangeiro, caiu 61%, fixando-se em 4.853 milhões de euros quando no ano anterior ultrapassou os 12 mil milhões.