As eleições legislativas na Grécia, previstas para o próximo mês de outubro, poderão ser antecipadas por causa da crise política aberta este fim de semana por causa do acordo histórico entre os governos da Grécia e da ainda FYROM, que poderá passar a chamar-se Macedónia do Norte quando estiver concluído o processo das emendas constitucionais.
“Encontrei-me com o primeiro-ministro e tivemos uma longa discussão”, afirmou Panos Kammenos à saída do encontro deste domingo com Alexis Tsipras. “O assunto da Macedónia, pelo qual milhares foram mortos, não me permite não sacrificar o lugar” no governo, prosseguiu o líder dos Gregos Independentes (ANEL).
A oposição do parceiro de governo que o Syriza encontrou em 2015, conseguindo pôr fim a décadas de governos dos dois partidos então dominantes, não era segredo e havia sido repetida ao longo do processo de negociações entre os governos de Atenas e Skopje, mediadas pelas Nações Unidas, que culminou no acordo que levará o país vizinho a adotar o nome de Macedónia do Norte. O partido de Kammenos é contra qualquer nome que inclua “Macedónia”, o nome de uma das regiões gregas.
Com a mudança de nome vizinho do norte, a Grécia compromete-se a deixar de vetar a sua entrada nas organizações internacionais, como a NATO e a União Europeia. Ambas as partes comprometem-se a reconhecer as fronteiras atuais e a não reclamarem ou apoiarem quem reclame territórios da outra parte ou queira interferir nos seus assuntos internos.
Alexis Tsipras aceitou de imediato a demissão de Kammenos e agradeceu o empenho do partido que, apesar da origem política diametralmente oposta, permitiu ao governo cumprir a promessa de sair dos memorandos da troika. O novo ministro da Defesa será o atual chefe de Estado Maior da Defesa, o almirante Evangelos Apostolakis.
O primeiro-ministro grego anunciou também ter contactado o presidente do parlamento para convocar o debate e votação de uma moção de confiança, que deverá ter início esta terça-feira. Já é certo que a oposição votará contra e a dúvida está no grupo parlamentar do ANEL. Kammenos já veio avisar que votará contra e que serão expulsos do partido os deputados que escolherem votar a favor do governo, que no seu entender corresponde a um voto a favor do acordo que colocará a Macedónia do Norte nas instâncias internacionais.
Para continuar a governar, Tsipras não precisa da maioria absoluta de 151 deputados, mas apenas do voto da maioria dos deputados presentes, num mínimo de 120. No entanto, o primeiro-ministro já veio afirmar que nesse cenário considera antecipar as eleições, previstas para outubro deste ano. Em caso de derrota da moção de confiança, Tsipras diz que o calendário de marcação das eleições vai depender da estabilidade da economia e do encerramento de alguns dossiers importantes, como a reforma constitucional, o acordo entre o Estado e a Igreja, a proteção das casas de família, os subsídios de rendas e o aumento do salário mínimo.