“Hoje o microfone desligou-se pela primeira vez” em 35 anos devido à greve dos trabalhadores da TSF convocada por unanimidade num plenário no passado dia 11 de setembro.
Filipe Santa-Bárbara, porta-voz dos trabalhadores, em declarações à Lusa na concentração que fizeram junto às instalações, esclarece que “respeito é de facto o que os trabalhadores estão a pedir” com estas formas de luta.
Faz saber que “nos últimos dois meses” a administração tem vindo a atrasar o pagamento dos salários sem avisar ou justificar. Também não responde à proposta do Sindicato dos Jornalistas “para os ajustes salariais decorrentes da inflação” depois dos trabalhadores terem decidido “aprovar a proposta da administração, embora esta ficasse aquém do desejado”. Mas como eram para todo o grupo de comunicação que a TSF integra e não foram aceites noutras empresas “nunca mais tivemos resposta à negociação”, informa.
Outro motivo de revolta e de exigência de respeito deve-se ao facto de o diretor de Informação, Domingos de Andrade, que "sempre lutou pela autonomia editorial e defendeu esta redação, sair do dia para a noite”. Reclamam que apenas souberam da destituição e da nomeação de um novo diretor por comunicado “ao arrepio do que está previsto na lei, nomeadamente o Estatuto do Jornalista que prevê que o Conselho de Redação seja auscultado para a destituição ou para a nomeação”.
Além de silenciar os microfones, esta greve também levou à não publicação de notícias na página da rádio durante todo o dia, afirma o jornalista, considerando-o “um sinal de força” que é “bastante simbólico”. E “não é só pela TSF. É também pelo jornalismo neste país”.
Um "greve histórica contra os abusos e desrespeito do Conselho de Administração"
Os dirigentes bloquistas Joana Mortágua e Jorge Costa marcaram presença na concentração destes trabalhadores levando a solidariade do partido à sua luta.
Joana Mortágua escreveu na sua conta do Instagram que a greve "contra os abusos e desrespeito do Conselho de Administração" foi "histórica".
Criticando ainda o "estilo" da Global Media que passaria por "salários atrasados, aumentos invisíveis, atropelamento do Conselho de Redação, falta de diálogo…"
Na rede social X, ex-Twitter, Jorge Costa acrescentou que "o acesso à informação depende da proteção do jornalismo", agradecendo a que fez greve e concluindo: "como diria a voz à hora do jogo, os melhores lutam nesta rádio".
A primeira na @TSFRadio, 35 anos depois. O acesso à informação depende da proteção do jornalismo. Obrigado aos % que estão em greve. Como diria a voz à hora do jogo, os melhores lutam nesta rádio. https://t.co/Pyu4xVwtBz
— Jorge Costa (@jorgecosta) September 20, 2023