TSF: microfones calados numa greve por “respeito”

20 de setembro 2023 - 16:41

Falta de resposta às propostas salariais dos trabalhadores, salários pagos de forma atrasada e a destituição do diretor de Informação sem ouvir o Conselho de Redação são alguns dos motivos da paralisação desta quarta-feira, a primeira na história desta rádio.

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Redação da TSF parada. Foto de Filipe Santa-Bárbara no Twitter.
Redação da TSF parada. Foto de Filipe Santa-Bárbara no Twitter.

“Hoje o microfone desligou-se pela primeira vez” em 35 anos devido à greve dos trabalhadores da TSF convocada por unanimidade num plenário no passado dia 11 de setembro.

Filipe Santa-Bárbara, porta-voz dos trabalhadores, em declarações à Lusa na concentração que fizeram junto às instalações, esclarece que “respeito é de facto o que os trabalhadores estão a pedir” com estas formas de luta.

Faz saber que “nos últimos dois meses” a administração tem vindo a atrasar o pagamento dos salários sem avisar ou justificar. Também não responde à proposta do Sindicato dos Jornalistas “para os ajustes salariais decorrentes da inflação” depois dos trabalhadores terem decidido “aprovar a proposta da administração, embora esta ficasse aquém do desejado”. Mas como eram para todo o grupo de comunicação que a TSF integra e não foram aceites noutras empresas “nunca mais tivemos resposta à negociação”, informa.

Outro motivo de revolta e de exigência de respeito deve-se ao facto de o diretor de Informação, Domingos de Andrade, que "sempre lutou pela autonomia editorial e defendeu esta redação, sair do dia para a noite”. Reclamam que apenas souberam da destituição e da nomeação de um novo diretor por comunicado “ao arrepio do que está previsto na lei, nomeadamente o Estatuto do Jornalista que prevê que o Conselho de Redação seja auscultado para a destituição ou para a nomeação”.

Além de silenciar os microfones, esta greve também levou à não publicação de notícias na página da rádio durante todo o dia, afirma o jornalista, considerando-o “um sinal de força” que é “bastante simbólico”. E “não é só pela TSF. É também pelo jornalismo neste país”.

Um "greve histórica contra os abusos e desrespeito do Conselho de Administração"

Os dirigentes bloquistas Joana Mortágua e Jorge Costa marcaram presença na concentração destes trabalhadores levando a solidariade do partido à sua luta.

Joana Mortágua escreveu na sua conta do Instagram que a greve "contra os abusos e desrespeito do Conselho de Administração" foi "histórica".

Criticando ainda o "estilo" da Global Media que passaria por "salários atrasados, aumentos invisíveis, atropelamento do Conselho de Redação, falta de diálogo…"

Na rede social X, ex-Twitter, Jorge Costa acrescentou que "o acesso à informação depende da proteção do jornalismo", agradecendo a que fez greve e concluindo: "como diria a voz à hora do jogo, os melhores lutam nesta rádio".