Em comunicado, os trabalhadores da TSF explicam que reuniram em plenário no dia 11 de setembro de 2023 para “analisar a situação que, de forma unânime”, consideram ser “de reiterado ‘desrespeito’ pelos profissionais dos vários setores da rádio, por parte da Administração da Global Media Group, culminando, na semana passada, com o afastamento do Diretor da TSF”.
“Depois de uma diminuição contínua dos recursos da Rádio por responsabilidade de várias administrações, constata-se que também o atual Conselho de Administração (CA) não cumpriu os compromissos que assumiu, seja em relação ao investimento, seja pela não aplicação da proposta de ajustes salariais e do aumento do subsídio de refeição retroativo a janeiro de 2023”, escrevem.
Conforme referem, até ao momento, e não obstante as diligências efetuadas pelo Sindicato dos Jornalistas e pelo Sindicato dos Trabalhadores de Telecomunicações e Comunicação Audiovisual, não existe previsão de quando será aplicada esta proposta.
A par de repudiar “a falta de resposta da Administração relativamente a este processo de negociação”, os trabalhadores lembram que, nos últimos meses, “ocorreram casos de atraso no pagamento de salários, situações inadmissíveis agravadas, no caso do último mês, pela total
ausência de aviso prévio ou justificação por parte da administração”.
O “padrão de desrespeito pelos trabalhadores” ganhou, segundo afirmam, “novos contornos com o anúncio da destituição do atual diretor da TSF e nomeação de um novo nome”, sem a auscultação do Conselho de Redação da TSF.
No comunicado, é ainda expressada a estranheza dos trabalhadores perante o facto de a TSF surgir como a exceção dentro da Global Media Group (GMG), já que “todas as direções editoriais das diferentes marcas e títulos se manterão”.
Recordando que, há três anos, em entrevista ao jornal Público, o Presidente do Conselho de Administração da Global Media Group manifestava a intenção de fazer com que a TSF “volte a ser abrangente, que seja a rádio do país inteiro, da credibilidade, da transparência, que discuta tudo, não tenha medo, se é de esquerda, direita, ao centro, independência total”, os trabalhadores questionam se esse objetivo foi abandonado.
O plenário de trabalhadores da TSF “reitera a total confiança e solidariedade na atual Direção”, elogiando a postura do diretor Domingos de Andrade que, de acordo com a missiva, “desde que assumiu funções, tem mantido um escrupuloso respeito pela autonomia e pela liberdade editorial da redação, privilegiando, acima de quaisquer outros, o valor da notícia, de acordo com os princípios éticos do Código Deontológico”.