Trump quer armar um milhão de professores para prevenir tiroteios nas escolas

23 de fevereiro 2018 - 14:34
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Foto Shealah Craighead/Casa Branca/Flickr
Foto Shealah Craighead/Casa Branca/Flickr

A declaração de Trump surgiu durante um encontro na Casa Branca entre o Presidente dos Estados Unidos da América (EUA) e sobreviventes, professores e familiares das vítimas do ataque ocorrido na semana passada na escola Marjory Stoneman Douglas, nos arredores de Miami.

O ataque em questão voltou a despoletar o debate sobre o acesso a armas de fogo nos EUA. Nesta quarta-feira, 21 de fevereiro, centenas de professores e alunos manifestaram-se em prol das restrições de acesso às armas de fogo.

Nesta quinta-feira, contudo, a Casa Branca fez saber que estava disponível para investir mil milhões de dólares no treino e no armamento de um milhão de professores por todo o país, numa medida controversa como combate à ocorrência de tiroteios nas escolas. A hipótese foi admitida pelo porta-voz adjunto da Casa Branca, Raj Shah, na conferênca de imprensa realizada após o próprio Trump ter afirmado que dar armas e treino a 10%, 20% ou mesmo 40% dos professores seria uma boa ideia.

Com este plano, a posse de armas nas escolas dependeria de um “treino especial” para os professores. Neste sentido, deixaria de haver uma zona livre de armas. Trump considera que estas zonas convidam os tiroteios: “Para um maníaco — porque eles são todos cobardes —, uma zona livre de armas convida a ‘vamos a isso e vamos atacar, porque não existirão balas dirigidas a nós’”, disse o Presidente dos EUA.

Na Casa Branca, Trump pediu ainda aos presentes que erguessem a mão caso concordassem com a proposta. A sala dividiu-se, alguns pais apontaram as falhas da teoria e da argumentação, consideraram que o armamento de professores não dissuadiria potenciais atacantes, não consideraram que matar pessoas devesse ser uma responsabilidade dos professores.

Esta proposta  vai no sentido inverso àquilo que Trump assumiu durante a campanha presidencial de 2016, quando desmentia a acusação que lhe era feita por Hillary Clinton, e garantia que não queria ter armas de fogo nas salas de aula.

Depois de Trump ter revogado uma leia da Administração Obama que bloqueva o acesso às armas a pessoas com doenças mentais, o Presidente dos EUA veio dizer que, entre as medidas em estudo, se encontra a possibilidade de uma “verificação exaustiva do historial” dos interessados em comprar armas, e que esta verificação terá “ênfase na saúde mental”.

Na terça-feira, Trump solicitou ao Departamento de Justiça que preparasse legislação no sentido de proibir equipamentos que permitam transformar armas legais em metralhadoras semelhantes Às que são utilizadas em cenários de guerra. Este tipo de armas foi usado no tiroteio da Florida e no massacre de Las Vegas, o pior tiroteio da história dos Estados Unidos. Adivinha-se que este processo será longo, o que poderia ser evitado caso Trump apresentasse a proposta no Congresso e não a fizesse por via do Departamento de Justiça.