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“Trouxemos estabilidade à vida das pessoas, que é o que conta”

Antes de apresentar o painel “A História do capitalismo Português em 40 minutos” no Fórum Socialismo 2019, Mariana Mortágua falou das expetativas do Bloco para a campanha eleitoral que se aproxima.
Mariana Mortágua
Mariana Mortágua no Fórum Socialismo 2019. Foto de Paula Nunes.

Questionada pelos jornalistas à entrada da sua sessão no Fórum Socialismo 2019 sobre as sondagens que indicam o crescimento da intenção de voto no Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua afirmou que o partido está concentrado na campanha eleitoral e na divulgação das suas propostas, colocando-as em confronto com as dos programas dos outros partidos. “Isso é o mais importante para que no dia das eleições toda a gente saiba ao que vai e vá esclarecido sobre o que cada partido quer para o país”, afirmou.

A deputada bloquista faz uma “avaliação muito positiva do trabalho que fizemos nos últimos quatro anos” e está convencida que esse balanço é partilhado pelo eleitorado. “Em cada momento soubemos encontrar soluções, às vezes distantes do que era a nossa ideia inicial, mas foram soluções de negociação que trouxeram estabilidade ao país”. Para Mariana Mortágua, mais do que a estabilidade da maioria parlamentar ou do equilíbrio entre as forças políticas, o contributo mais importante do Bloco foi dar “estabilidade à vida das pessoas, que é o que conta: salário, pensão apoios sociais”.

"Estes grupos económicos ajudaram ou atrasaram o desenvolvimento económico do país?”

Mariana Mortágua resumiu em seguida aos jornalistas o tema da sua intervenção na sessão da tarde de sábado: “Propus-me contar em 40 minutos um pouco da história dos grandes capitalistas portugueses. Não é difícil porque eles são quase sempre os mesmos, as mesmas famílias, a mesma elite” que atravessa as últimas décadas, desde o fascismo à integração na UE.

São grupos que “ao longo do tempo se desenvolvem sempre nas rendas do Estado: quando as rendas estavam na indústria era aí que estes grupos estavam; quando as rendas passaram para a banca, para a finança, imobiliário e construção, esses grupos também passaram para estes sectores económicos”, acrescentou.

Analisando a economia portuguesa nas últimas décadas, levanta-se “uma pergunta que é um desafio: estes grupos económicos ajudaram ou atrasaram o desenvolvimento económico do país?”. Ou seja, perceber “se a estagnação que vivemos na década de 2000 não se deve também a estes grandes grupos económicos e capitalistas que estão mais concentrados nas suas guerrinhas de poder a tentar controlar as grandes empresas monopolistas privatizadas e usando os lucros dessas empresas e o financiamento bancário para as suas guerras, privando o país da necessidade de financiamento para ajudar as PME’s”.

Para a economista e deputada do Bloco, este debate não é um exclusivo português e pode ser aplicado por exemplo à Alemanha, cuja economia vai a caminho da recessão. “Há grandes grupos que concentram grande parte dos lucros e dos financiamentos, mas não os investem, não criam emprego, não ajudam ao desenvolvimento produtivo nem ao combate às alterações climáticas”, sublinhou Mariana Mortágua, notando que há cada vez mais gente a questionar o efeito perverso para a economia e a sociedade no seu todo da “concentração de riqueza nas mãos de poucos mas muitos poderosos grupos capitalistas”.

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