Os trabalhadores do call center do grupo Trofa Saúde foram surpreendidos ao não verem inscrito na folha salarial do mês de novembro o subsídio de alimentação a que têm direito, no valor de 114,40 euros. Desde então têm reclamado o pagamento desse subsídio, uma luta que culminou na greve realizada esta segunda-feira, com um plenário à porta do Hospital da Trofa.
Além da reposição do valor indevidamente retido, os trabalhadores reclamam ainda um aumento salarial de 10%, com um mínimo de cem euros, a atualização do subsídio de refeição para 6,50 euros diários e das diuturnidades para 30 euros cada, alargando esse direito a todos os trabalhadores, a vencer de quatro em quatro anos até um máximo de cinco diuturnidades.
Outras reivindicações são o alargamento das pausas da manhã e tarde para o mínimo de 20 minutos, a divisão do prémio mensal em prémio de produtividade e prémio de assiduidade, o direito ao diálogo e à negociação coletiva, a formação profissional e o respeito pelos direitos dos trabalhadores, que acusam a empresa de desvalorizar o trabalho que é feito no seu call center.
O deputado José Soeiro esteve presente na concentração dos trabalhadores para levar a solidariedade do Bloco de Esquerda com "esta luta justa contra o roubo do subsídio de alimentação que vos foi feita no mês de novembro, mesmo que agora queiram disfarçar no recibo deste mês".
Para o deputado bloquista, "os salários já são baixos, o subsídio de alimentação já é baixo, a contratação coletiva já não é respeitada e isso tudo piora no contexto em que estmos a viver", com a inflação a retirar mais poder de compra aos trabahadores. Soeiro falou dos debates que têm decorrido no Parlamento sobre a alteração de leis laborais, sublinhando que muitas das medidas da troika que desequilibraram ainda mais a relação entre patronato e trabalhadores se mantêm ainda na lei.
"Os direitos são para ser respeitados. Se não formos nós a erguer a cabeça e falar bem alto, ninguém o vai fazer por nós", concluiu o deputado, saudando a luta destes trabalhadores.