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Transporte marítimo deve integrar as licenças de emissão de CO2 da UE, diz a Zero

Ambientalistas defendem também a criação de limites de emissões de CO2 para os navios que atraquem em portos europeus. Estudo a nível europeu concluiu que Portugal é o 5.º país com maiores emissões associadas ao transporte marítimo de combustíveis fósseis.
Transporte marítimo deve integrar as licenças de emissão de CO2 da UE, diz a Zero
Foto de pom/Flickr.

A associação ambientalista Zero defende que o transporte marítimo integre o regime de comércio de licenças de emissão da União Europeia (UE). Os ambientalistas exigem que sejam estabelecidos limites de emissões de dióxido de carbono (CO2) para os navios que atracam em portos europeus.

“As emissões dos navios que abastecem em Portugal é equivalente à poluição das oito cidades portuguesas com mais carros registados”, que se localizam nas áreas de Lisboa, Porto e Braga, alertou a ZERO num apelo à UE para que integre a navegação no comércio europeu de licenças de emissão.

A Zero faz parte da Federação Europeia para os Transportes e Ambiente (T&E) que recentemente divulgou as conclusões de um estudo que indica que a frota da empresa de transporte marítimo Mediterranean Shipping Company (MSC), que movimenta bens que vão de produtos elétricos e eletrónicos a frutas frescas, roupas a brinquedos, “foi responsável pela emissão de cerca de 11 milhões de toneladas de CO2 em 2018”.

“Se o transporte marítimo integrasse o regime de comércio de licenças de emissão da UE (o que atualmente não se verifica), a MSC seria o oitavo maior emissor na lista dos dez maiores poluidores europeus”, avançou a associação ZERO à agência Lusa, referindo que constam deste ‘ranking’ oito centrais a carvão e uma companhia aérea.

De acordo com as estatísticas oficiais da UE, o estudo feito pela T&E concluiu que os navios que navegam com destino e partida da Europa emitiram mais de 139 milhões de toneladas de CO2 em 2018, concluindo que, “se as emissões do transporte marítimo fossem equivalentes às de um país europeu, seria o oitavo maior emissor da UE, depois da Holanda”.

Segundo o noticiado pela Lusa, a Zero salienta que “o transporte marítimo é o único modo de transporte sem medidas concretas para reduzir as suas emissões”, apesar das suas elevadas quantidades de emissões de CO2. Além de não existirem medidas com vista à sua redução, as emissões de carbono emitidas pelos grandes navios não são cobradas.

“O setor marítimo está isento pela legislação da UE de pagar impostos sobre o combustível que consome, o que representa uma efetiva subsidiação no valor de 24 mil milhões de euros por ano”, apontou a ZERO na sua divulgação das conclusões do estudo da federação T&E.

Os ambientalistas defendem que o comércio marítimo europeu poderá ser menos poluente “se as medidas certas forem aplicadas e os líderes europeus deixarem de ignorar o impacto destas emissões para o clima”.

Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, indicou a inclusão das emissões do transporte marítimo internacional no regime europeu de comércio de licenças de emissão como um dos compromissos assumidos pela sua presidência.

Para a Zero, “este foi um pequeno passo para controlar o impacto climático deste modo de transporte. Medidas adicionais, entre as quais a definição de um limite de emissão de CO2 para os navios em operação, também serão necessárias para acelerar o uso de combustíveis e tecnologias sem emissões de carbono”.

Sobre a realidade portuguesa, o estudo da T&E baseou-se nos dados de veículos registados em 2013 para chegar à emissão total de toneladas (Mt) de CO2 por ano no tráfego rodoviário de Lisboa, Sintra, Cascais, Loures, Porto, Vila Nova de Gaia, Matosinhos e Braga: 2,8 Mt CO2 por ano. Ora, só “os navios com base na carga movimentada em portos portugueses emitem 2,93 Mt CO2 por ano”.

“Portugal é o 5.º país europeu com maiores emissões associadas ao transporte marítimo de combustíveis fósseis (25%)”, pode ler-se no estudo.

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