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Trabalho infantil aumentou durante a pandemia

Este sábado é Dia Mundial Contra o Trabalho Infantil. E os números mais recentes são preocupantes. Com a pandemia, pela primeira vez em 20 anos aumentou o trabalho infantil, colocando em causa a meta de erradicar o fenómeno até 2025.
Trabalho infantil na Mongólia. Foto de ILO Asia-Pacific/Flickr.
Trabalho infantil na Mongólia. Foto de ILO Asia-Pacific/Flickr.

O trabalho infantil aumentou durante a pandemia e afeta agora cerca de 160 milhões de crianças no mundo inteiro. O número foi divulgado num relatório lançado na passada quinta-feira mas com os olhos postos neste sábado em que se assinala o Dia Mundial Contra o Trabalho Infantil.

Depois de 20 anos em que o fenómeno se foi reduzindo consistentemente, o objetivo de acabar com o trabalho infantil até 2025 parece agora bem mais distante. Em quatro anos, houve mais 8,4 milhões de crianças obrigadas a trabalhar. Entre 2000 e 2016, a tendência de queda tinha sido clara. Nesse período os números desceram em 94 milhões.

O relatório “Trabalho Infantil: Estimativas Globais 2020” foi organizado conjuntamente pela Organização Internacional do Trabalho e pela UNICEF. Revela que a agricultura é responsável por cerca de 70% do total das crianças forçadas a trabalhar. Muito longe dos 20% nos serviços e dos 10% na indústria. O documento mostra ainda que 28% das crianças forçadas a trabalho infantil com idades entre os cinco e os onze anos abandonaram a escola, assim com 35% das que têm entre 12 a 14 anos. E que há mais rapazes do que raparigas nesta situação. Para além disso, indica-se que há mais prevalência de trabalho infantil nas zonas rurais, 14%, do que nas urbanas, 5%.

O aumento das crianças a trabalhar com idades entre os cinco e os onze anos é considerado significativo, é agora metade do total. Também aumentou o número daqueles que trabalham em empregos mais perigosos que podem afetar bastante a sua saúde, segurança ou bem-estar psicológico. São agora 79 milhões, um acréscimo de 6,5 milhões desde 2016.

Para a diretora executiva da Unicef, Henrietta Fore, isto significa que é preciso que governos e bancos “deem prioridade a investimentos em programas que possam conseguir tirar crianças da situação de trabalho e levá-las de volta à escola” e que, antes disso, são necessários programas de proteção social “que possam ajudar as famílias a evitar fazer esta escolha”. As duas organizações internacionais apela a um aumento da proteção social para a infância, a um maior gasta na educação e a investimento em serviços públicos e condições de vida nas zonas rurais.

A Covid-19 aumentou o risco e, segundo o estudo, há mais nove milhões de crianças que podem ser forçadas a trabalhar até ao final de 2022, fazendo aumentar ainda mais o total. Com escolas fechadas, confinamentos e crise económica, as condições das crianças que já estão a trabalhar pode piorar, forçando-as a situações ainda piores de trabalho infantil, defende o documento.

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