O primeiro dos quatro plenários gerais organizados pela Coordenadora das Comissões de Trabalhadores da Autoeuropa e das empresas fornecedoras no Parque Industrial em Palmela juntou na manhã desta terça-feira quase um milhar de trabalhadores, que aprovaram por unanimidade a moção de apoio à greve geral.
“Estamos dispostos a prolongar a luta para defender os nossos interesses ao atacar os trabalhadores desta forma com este pacote laboral. A primeira defesa será a partir da greve geral no dia 11. Antes disso foi esta organização, de união entre as centrais sindicais e das Comissões de Trabalhadores. É uma mensagem de união que queremos transmitir ao país, para lutar contra este pacote laboral”, disse à agência Lusa o porta-voz da Coordenadora das CT, Daniel Bernardino.
Entre as consequências mais gravosas da proposta do Governo está “o risco enorme de, em empresas de `outsourcing´, os trabalhadores perderem direitos quando há uma transmissão de estabelecimento”, afirmou Daniel Bernardino, recordando situações semelhantes no passado em que “os trabalhadores conseguiram segurar esses direitos”. Por outro lado, o fim da obrigação de reintegrar um trabalhador despedido de forma ilícita “é do mais grave que podemos ter para quem trabalha”.
O plenário contou com a presença dos líderes da CGTP e UGT, Tiago Oliveira e Mário Mourão. “Estamos a falar do que é a perpetuação da precariedade, estamos a falar do que é um ataque à desregulação dos horários de trabalho, à facilitação dos despedimentos, um ataque ao direito à greve, ao impedimento dos sindicatos a entrarem nos locais de trabalho. Tudo isto consta de um pacote de mais de 100 medidas que o Governo apresentou”, disse Tiago Oliveira.
Mário Mourão afirmou que “não há nenhum trabalhador neste país que não seja afetado pelas medidas negativas que esta reforma contém e que, por isso, tem de ter a resposta que é adequada. Este plenário que houve hoje aqui no Parque Industrial da Autoeuropa demonstrou a mobilização e a participação dos trabalhadores, o que significa que os trabalhadores estão a perceber bem o que é que quer dizer esta reforma laboral e em que é que isso os vai afetar”.