Trabalhadores das cantinas em luta que culmina com greve na sexta

23 de novembro 2023 - 10:12

Os sindicatos afetos à CGTP denunciam que há vinte anos que o contrato coletivo de trabalho não é revisto. A maioria dos trabalhadores do setor ganha o salário mínimo ou pouco mais do que isso.

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Trabalhadoras das cantinas em protesto. Foto da CGTP.
Trabalhadoras das cantinas em protesto. Foto da CGTP.

Esta terça-feira, em Braga, o protesto dos trabalhadores das cantinas começou às oito e meia da manhã no Hospital de Braga. Depois, da parte da tarde, rumaram para o Parque Industrial da cidade. Francisco Figueiredo, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Hotelaria, Turismo, Restaurantes e similares do Norte, explicou à Rádio Universitária do Minho que no Hospital de Braga há trabalhadores das cantinas que “trabalham aos sábados, domingos e feriados e não recebem mais nada”. Com o protesto pretendiam assim “denunciar junto dos clientes destas empresas que o que eles pagam aos trabalhadores não chega para fazer face à sua vida pessoal e familiar”.

Esta não se tratou de uma ação única. Faz parte de uma campanha que já passou pela Super Bock, Efacec, Salvador Caetano, RAR, Hospital Santo António, Hospitais da Prelada e Santos Silva.

Os sindicatos afetos à CGTP denunciam que o contrato coletivo de trabalho do setor não é revisto há vinte anos, que as empresas das cantinas, refeitórios e bares concessionados “pagam salários muito baixos”, em que “a esmagadora maioria dos trabalhadores recebem apenas o Salário Mínimo Nacional”.

Protesta-se assim pelo facto de o custo de vida ter aumentado mas o salário dos trabalhadores das cantinas não. A última revisão salarial que estes sindicatos assinaram foi em 2003. Então, as empregadas de refeitório recebiam 76,90 euros mais do que SMN, agora recebem apenas dois euros a mais, as cozinheiras de 3.ª recebiam 123 acima do SMN agora recebem 42 e as cozinheiras de 2.º recebiam 161,90 mais e agora recebem apenas 88 euros.

Acusam-se as empresas e a associação patronal de “todos os anos” insistirem nas propostas de “retirar direitos dos trabalhadores em troca dos miseráveis aumentos que oferecem: querem reduzir o subsídio noturno; reduzir o valor do trabalho prestado em dia feriado, em dia de folga e trabalho suplementar; querem impor bancos de horas e horários concentrados; querem acabar com o quadro de densidades, ou seja querem acabar com os direitos dos trabalhadores”.

Razões mais do que suficientes, consideram, para culminar esta série de protestos com uma greve nacional na próxima sexta-feira. Esta será acompanhada por uma concentração de protesto em Lisboa, na sede da associação patronal do setor, a AHRESP.