A Comissão de Trabalhadores da TAP escreveu ao primeiro-ministro para lhe pedir que o Estado assuma “controlo da empresa, para prevenir o agravamento irreversível dos danos que a gestão privada está a infligir aos seus ativos”.
De acordo com a CT que representa os dez mil trabalhadores da empresa, antes mesmo da pandemia ter diminuído a circulação aérea e da TAP ter colocado trabalhadores em lay-off, já a “débil situação financeira da empresa” tinha sido agravada pela gestão privada. Em causa estão as “evidentes insuficiências de capital e da gestão dos acionistas privados, que colocaram em causa o futuro da TAP com decisões incompreensíveis, como a expansão da empresa a um ritmo incompatível com a sua estrutura de capital e, com as restrições físicas externas a esse movimento, com destaque para a capacidade aeroportuária".
Para além disso, decisões ruinosas para a empresa são tomadas para beneficiar o acionista privado “como por exemplo a inexplicável contratação das aeronaves afetas a uma ponte aérea deficitária criada expressamente para esse efeito"
A CT alerta que dados os “notórios erros da gestão privada”, “as efetivas responsabilidades imputáveis ao Estado português na TAP ascenderão a mais de 1.600 milhões de euros no fim do corrente exercício económico, sem a garantia de que estes compromissos do Estado sejam suficientes para resgatar a empresa do colapso das suas operações e dos erros desta gestão".
Depois de tudo isso, a administração pede ao Estado “recursos financeiros substanciais, para prolongar a continuidade da gestão, e dos acionistas privados da empresa”. Os trabalhadores desafiam o governo a que assuma uma gestão pública da companhia aérea para não só para “assegurar a manutenção dos postos de trabalho” mas também para reintegrar os trabalhadores contratados, “entretanto dispensados sob o pretexto da paralisação forçada da empresa”.
Grandes companhias aéreas mundiais passam a depender de ajudas dos Estados
A TAP não é a única companhia aérea que tinha sido pública e foi privatizada para, agora que a pandemia paralisou grande parte do tráfego aéreo, pedir ajudas do Estado.
O Jornal de Negócios sintetizou as informações que têm chegado ao longo das últimas semanas e que dão conta dos vários tipos de apoios estatais. É um desfiar de milhares de milhões de euros acompanhado pelos nomes das grandes transportadoras aeronáuticas mundiais.
A Air-France/KLM, a que era considerada a empresa mundial mais lucrativa do setor, irá receber cerca de 11 mil milhões da França e Holanda. A maior parte virá de França, que detém cerca de 14% da companhia. Serão quatro milhões em empréstimos bancários garantidos pelo Estado e três em empréstimos excecionais do próprio Estado enquanto acionista. Estima-se que a Air-France-KLM esteja a perder 25 milhões de euros por dia.
Já a American Airlines, considerada a empresa que mais passageiros transporta no mundo, embolsou já uma ajuda de 5,4 mil milhões de euros do governo federal norte-americano: uma subvenção direta de 4,1 e um empréstimo de 1,7 a taxa de juro baixa. Para além disto, ainda virá a caminho um empréstimo de 4,75 mil milhões do Tesouro dos EUA.
As outras grandes transportadoras aéreas norte-americanas não ficaram de mão a abanar. A Delta Airlines aderiu ao programa estatal para a ajuda de pagamento de salários e, nesse âmbito, encaixará 6,2 mil milhões de euros, entre uma subvenção direta de 4,1 mil milhões de dólares e um empréstimo com juros baixos de 1,6 mil milhões. Para além disso, a empresa vai vender ao governo 1% das suas ações.
Para a United Airlines irão 4,6 mil milhões de euros: 3,5 mil milhões de dólares diretamente, 1,5 mil milhões emprestados a taxa de juro baixa.
Outro gigante é o grupo da Lufthansa. Este integra, para além da companhia mais poderosa que lhe dá o nome, a SwissAir, a Austrian Airlines e a Brussels Airlines. Por isso, a empresa negoceia ajudas com Bélgica, Suíça, Alemanha e Áustria. O Estado alemão deve ser o que mais gastará. Conta-se com dez mil milhões entre empréstimos, garantias de Estado e uma possível participação acionista de 25,1%.
As empresas dos países europeus mais fustigados pelo surto da covid-19 também irão ser ajudadas pelo Estado. A Iberia vai ter um empréstimo com garantias do Estado Espanhol. Para além disso, está a negociar uma linha de crédito de mil milhões com os bancos.
A Alitalia, por sua vez, será nacionalizada em julho. A empresa já estava afundada em dívidas ainda antes da pandemia do novo coronavírus e este era já o desfecho antecipado.
Para além das tradicionais grandes empresas, também a low-cost Easyjet entra nesta lista. Terá direito a um empréstimo de 689 milhões de euro garantido pelo Banco de Inglaterra e vai aceder a uma linha de crédito junto dos bancos de 467 milhões de euros.