Após o anúncio do encerramento da refinaria da Galp em Matosinhos, os trabalhadores estão a ser abordados individualmente pela empresa para definirem o seu futuro. E o conteúdo dessas entrevistas não deixa grandes dúvidas: a Galp está a preparar um despedimento coletivo. Essa foi a conclusão deixada esta terça-feira numa audição requerida pelo Bloco de Esquerda - que juntou as comissões parlamentares de Trabalho e Segurança Social e Economia, Inovação, Obras Públicas e Habitação - por um dirigente do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente (SITE) do Norte que acompanha a situação na empresa.
“Ainda não existe nenhuma comunicação oficial da empresa, mas nas entrevistas individuais que a administração tem mantido com os trabalhadores é-lhes dito muito claramente que a alternativa à rescisão por mútuo acordo é o despedimento coletivo”, afirmou aos deputados Telmo Silva, citado pela agência Lusa. Um despedimento coletivo que deverá ter lugar “nos próximos tempos”, acrescentou o sindicalista, uma vez que o processo de entrevistas deverá ficar concluído esta quarta-feira.
“O que sabemos é que a partir de 31 de março, a qualquer momento, irá ser comunicado o despedimento coletivo aos trabalhadores”, afirmou o sindicalista. O sindicato calcula que o fim da refinação em Matosinhos afete meio milhar de postos de trabalho diretos e outros mil indiretos. Os primeiros a sair foram os contratados em regime de outsourcing, meia centena de trabalhadores que já receberam carta de despedimento. “É sempre a somar despedimentos. Não se tratam só dos trabalhadores da Petrogal, mas de todos aqueles que prestam serviço diariamente naquelas instalações através de outras empresas”, afirmou Telmo Silva, criticando o silêncio que têm recebido como resposta por parte do Governo.
O sindicalista lembra que o Estado é acionista da Galp, com uma fatia de 7% do capital da empresa e a sua postura de inação face ao que se está a passar na refinaria contrasta com a intervenção ativa do Governo em empresas onde não é acionista.
O argumento da vantagem ambiental também não colhe junto dos trabalhadores, que apontam a boa posição da refinaria de Matosinhos nos indicadores ambientais europeus e a necessidade de passar a importar produtos que só a refinaria produz em Portugal, aumentando assim as emissões através do tráfego marítimo. Por outro lado, o resultado prático do encerramento será a transferência de emissões para a refinaria de Sines e não a sua diminuição em termos globais.