Aveiro

Trabalhadores da Navigator em greve por três dias

24 de dezembro 2024 - 14:47

A papeleira anunciou aumento dos lucros mas foge aos compromissos de negociar melhoria de aumentos salariais para o próximo ano, acusa o sindicato.

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Trabalhadores da Navigator em luta.
Trabalhadores da Navigator em luta. Foto do Sindicato.

Os trabalhadores das fábricas de Aveiro da Navigator vão estar em greve nos próximos dias 26, 27 e 28 de dezembro, segundo informou o sindicato SITE Centro Norte.

A paralisação foi marcada para as unidades da Navigator Pulp Aveiro e The Navigator Company, num total de 150 trabalhadores, depois de “em várias reuniões, ao longo dos últimos meses” a administração ter “fugido aos seus compromissos de negociar uma melhoria dos aumentos salariais para 2025” afirma esta organização sindical.

Em nota à comunicação social, os trabalhadores dizem sentir-se “desconsiderados” e querem “fazer ver a administração que não pode andar a jogar com as palavras nas reuniões de negociação”.

A greve acontecerá desde as zero horas de dia 26 até às 16h00 do dia 28 e apresenta como objetivos: “aumentos salariais justos em 2025”, “fim das imposições da administração” e “reposição dos direitos retirados”.

Salienta-se que, ao mesmo tempo que “o Grupo Navigator continua a ter lucros significativos em 2024”, “os trabalhadores carecem de reconhecimento, por parte da empresa”. Neste sentido, pretende-se “um real aumento dos salários, que lhes permita fazer face ao aumento do custo de vida e, ao mesmo tempo, os valorize enquanto trabalhadores”.

À Lusa, Paulo Ferreira, dirigente do SITE do Centro Norte, salienta que a proposta inicial de aumento apresentada pelo sindicato era de 150 euros para todos os trabalhadores. Mesmo depois de ter baixado este valor para os 125 euros não obteve qualquer resposta por parte da empresa.

Recorde-se que a semana passada a empresa anunciou que nos primeiros nove meses deste ano aumentou os seus lucros em mais de 20%. Por isso, em comunicado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, informou que iria adiantar 100 milhões em lucros aos seus acionistas. Com isto, as herdeiras de Pedro Queiroz Pereira, através da Semapa, dona de 70% do capital, vão embolsar já em janeiro 70 milhões. Nenhum dos outros acionistas da empresa tem mais de 5%.

Uma verba substancialmente menor tinha anunciado antes foi atribuída como “prémio de 2024” aos seus “mais de 3.300 colaboradores (sic)”. Um valor de meio salário a ser pago juntamente com o vencimento de dezembro.