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Trabalhadores da Lusa e RTP defendem autonomia

As comissões de trabalhadores de ambas as empresas afirmam que “a autonomia editorial da Lusa deve ser defendida contra qualquer reorganização de instalações”.
“Nenhuma agência noticiosa pode envolver-se em parceria privilegiada com uma rádio e televisão em detrimento das entidades que veem essa rádio e televisão como concorrente”, afirmam as CTs.
“Nenhuma agência noticiosa pode envolver-se em parceria privilegiada com uma rádio e televisão em detrimento das entidades que veem essa rádio e televisão como concorrente”, afirmam as CTs. Foto de António Cotrim/Lusa.

Em causa estão planos de “sinergias” entre a RTP e a Agência Lusa, defendidas pelo atual Presidente da Lusa, Nicolau Santos, na sua proposta de plano estratégico com a qual se candidatou e foi escolhido pelo Conselho Geral Independente da RTP para ser presidente do serviço público de rádio e televisão.

No comunicado, as Comissões de Trabalhadores de ambas as empresas entendem que “essas ‘sinergias’, de contornos ainda vagos, diriam respeito à colaboração entre ambas as empresas na área editorial e na área de utilização de instalações”, noticia a Agência Lusa.

“Sem quererem aqui e agora pronunciar-se sobre a gestão do património imobiliário da Lusa ou da RTP”, as duas CT sublinham que a autonomia editorial da Lusa deve ser defendida contra qualquer reorganização de instalações que coloque a agência noticiosa no espaço físico de alguma outra entidade, coabitando em união de facto, dependente e potencialmente promíscua”, afirmam.

“Tendo em conta o pouco que se sabe sobre estes planos, convém alertar contra qualquer veleidade de amputar, menorizar ou subalternizar o serviço público prestado pela Lusa a toda a comunicação social portuguesa”, destacando que a Lusa, “como agência noticiosa, é um serviço público imprescindível a toda a imprensa falada ou escrita”.

“O futuro da Lusa não pode ser decidido por um gestor que faz parte do passado da agência: esse futuro, como o de qualquer serviço público, tem de ser preocupação do poder político”, defendem.

“Nenhuma colaboração editorial da Lusa com qualquer outra entidade pode fazer-se à custa da sua autonomia, independência e isenção. Definir para a Lusa, sob o pretexto de exploração de ‘sinergias’, uma relação preferencial com a RTP iria pôr em causa a prestação dos seus serviços a todos os demais órgãos de comunicação social”, dizem ainda.

Para os trabalhadores, “nenhuma agência noticiosa pode envolver-se em parceria privilegiada com uma rádio e televisão em detrimento das entidades que veem essa rádio e televisão como concorrente”.

“Se o fizesse, iria prejudicar-se a si própria e iria prejudicar todas as entidades que até agora têm podido contar com o seu serviço”, defendem.

Nicolau Santos rejeita a hipótese de extinção da sede da Agência Lusa, que avançada em comunicado da CT Lusa, um comunicado que “parte de pressupostos errados e que, por isso, tira conclusões que não fazem qualquer sentido".

"Não se percebe de onde surge tal ideia, se ela existe ou quem a propôs, mas seguramente nada tem a ver comigo", garante.

"A CT baseia as suas afirmações no plano estratégico da RTP. Ora ainda não existe esse plano, que está a ser ultimado. O que existe é o programa com que eu e Hugo Figueiredo nos candidatámos à liderança da RTP", explica.

Nicolau Santos garante que esse programa fala "na exploração de sinergias entre a RTP e Lusa 'na área da gestão de espaços e na colaboração editorial'. Só isto e nem mais uma palavra".

Bloco requereu envio do Plano Estratégico da RTP para a AR

Em março, na sequência da informação veiculada pela comunicação social de que o Plano Estratégico da RTP para o triénio 2021-2023 incluiria "alterações estruturais não só à estrutura da empresa como ao serviço público internacional da RTP mas também da Agência Lusa, recuperando um projeto de fusão de meios e delegações das duas empresas públicas", o deputado Jorge Costa requereu o envio deste documento para a Assembleia da República.

O dirigente do Bloco lembrou que este tinha sido "um projeto apresentado e abandonado por Miguel Relvas em 2013 depois de dura oposição também na Assembleia da República" e sublinhou que “seria profundamente negativo que tal projeto avançasse sem o devido escrutínio público com a proteção do Conselho Geral Independente da Rádio e Televisão de Portugal”.

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