Gonçalo Gregório, membro do Sindicato dos Trabalhadores de Espetaculos, do Audiovisual e dos Musicos (Cena-STE), foi uma das centenas de pessoas que estiveram concentradas na Avenida dos Aliados, no Porto. À agência Lusa, comentou que esta manifestação que juntou profissionais do circo, teatros, bibliotecas, museus, casas de espetáculos e companhias procurou contestar “a precariedade sistémica que dura há anos no setor”.
"Estamos na semana em que supostamente reabriram as salas de espetáculo, mas a maior parte delas não reabriu com programação normal. Isto não significa que as companhias começaram a trabalhar, não significa que os músicos começaram a trabalhar. Isto não é representativo de um retomar da atividade”, referiu Gonçalo Gregório.
“Este é mais um daqueles momentos em que a cultura perde trabalhadores para outras tarefas, que garantem financiamento, direitos laborais e condições de vida e assim se perdem grandes figuras da cultura”, lamentou o representante do Cena.
Em Lisboa, António Costa anunciou à saída da reunião do Conselho de Ministros que os profissionais independentes da cultura irão receber, nos meses de julho e setembro, um apoio social semelhante ao que é atribuído aos trabalhadores independentes, ao qual não conseguem aceder devido à intermitência da sua atividade. Este apoio corresponde a três prestações de 438 euros como medida de apoio social, perfazendo um total de 1.314 euros.
Numa outra zona da mesma cidade, Rui Galveias, dirigente do Cena, comentou à Lusa que este apoio social continua a ser “prestações de 438 euros. Ainda ontem falava com algumas pessoas que tiveram esse tipo de apoios enquanto recibos verdes, casais com filhos, e continuam a ter a vida hipotecada, não estão a conseguir chegar ao fim do mês, as vidas não encolhem, porque a economia não encolheu, a realidade não encolheu, portanto continua a ser insuficiente”.
“As medidas vão surgindo, esta é uma medida que procura responder a algumas das reivindicações que estamos a fazer hoje, temos que compreender melhor como é que ela é implantada. Achamos que ainda é insuficiente, porque os valores que exigimos são outros, não é isto que vai repor a realidade e a vida de uma forma normal às pessoas. Temos esperança que seja um caminho aberto para nós chegarmos mais longe e prova que a luta é o caminho”, sublinhou.
Novamente no Porto, Inês Maia, representante do Manifesto em Defesa da Cultura e do coletivo de teatro Pé de Cabra, defendeu que os impactos da pandemia da covid-19 devem servir de impulso para uma reflexão sobre a “necessidade de medidas estruturais e da situação no setor” cultural.
“Esta crise veio tornar mais emergente a emergência do setor. Já era uma situação precária há décadas e, com esta crise, foi tudo posto a nulo”, salientou.