Racismo

“Tiraram o Samuel do país para esconder o que fizeram com ele”

06 de fevereiro 2026 - 10:47

O jovem são-tomense agredido por agentes policiais no aeroporto de Lisboa e a quem recusaram os exames médicos prescritos nas urgências foi em seguida deportado sem que o advogado pudesse contestar a recusa de entrada no país.

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aeroporto de Lisboa
Aeroporto de Lisboa. Foto de Jaime Silva/Fickr

Samuel Edi, o jovem são-tomense que veio a Portugal para uma consulta médica e a quem foi exigido a apresentação de um termo de responsabilidade obrigatório, foi deportado sem que o seu advogado pudesse tratar do seu caso e depois de ser agredido violentamente no interior das instalações do aeroporto de Lisboa, quando se recusou a embarcar num voo de regresso sem que o seu caso estivesse devidamente tratado.

As agressões da madrugada de quinta-feira da semana passada obrigaram a uma ida às urgências do Hospital de São José, onde os agentes que o acompanhavam não o deixaram fazer a ecografia requerida pelos médicos. Samuel acabou por ser deportado na noite de domingo num voo com escala em Angola, souberam os familiares na segunda-feira através da embaixada são-tomense.

“Tiraram o Samuel do país porque? Tiraram o Samuel do país para esconder o que fizeram com ele. O pedido que eu faço é que me digam para onde levaram Samuel; o que é que fizeram com o Samuel? Não sabemos nada”, dizia na segunda-feira à Deutsche Welle a mãe afetiva que o esperava em Portugal com o termo de responsabilidade exigido e a marcação da consulta que vinha fazer a Portugal. A DW acrescenta que o advogado que tinha interposto recurso da decisão de deportação ira agora apresentar uma queixa-crime. Depois de uma viagem a Lisboa onde foi agredido e só saiu do aeroporto para receber tratamento nas urgências de um hospital, Samuel já se encontra em São Tomé e Príncipe.

A associação SOS já tinha exigido à ministra da Administração Interna a abertura de um inquérito ao que se passou nas instalações do aeroporto, sublinhando a necessidade de se preservar as imagens de videovigilância daquele espaço.

“Mais uma vez, assistimos à absoluta desumanização e abuso por parte das autoridades a prestar serviço no aeroporto de Lisboa”, afirma a SOS Racismo, lembrando “a morte de Ilhor Homeniuk, cidadão ucraniano, assassinado no mesmo local onde Samuel foi espancado”.