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Telemóvel do primeiro-ministro espanhol também foi espiado

Os telemóveis de Pedro Sánchez e da ministra da Defesa Margarita Robles foram infetados no ano passado com o software espião Pegasus. Governo mandou analisar os telefones dos restantes ministros.
Margarita Robles e Pedro Sánchez. Foto La Moncloa/Flickr

O escândalo da espionagem ilegal aos políticos espanhóis conheceu um volte-face esta segunda-feira. Depois de ter feito declarações aos deputados que foram lidas na Catalunha como uma justificação da espionagem às comunicações dos políticos catalães, a ministra da Defesa espanhola ficou a saber que o seu telemóvel institucional também foi alvo de infeção pelo mesmo software israelita alegadamente usado pelos serviços de informações espanhóis na vigilância aos independentistas. A extração de dados ao telemóvel de Margarita Robles terá acontecido em junho de 2021 e não chega aos 10Mb de informação.

O volume de informação copiada do telemóvel de Pedro Sánchez foi muito maior: 2,6Gb na primeira intrusão em maio de 2021 e mais 130Mb no mês seguinte. O Governo diz não saber de que informação se tratava nem qual o seu grau de sensibilidade, mas afasta desde já que a intrusão tenha acontecido por ordem de organismos do Estado espanhol, classificando-as de “intrusões ilícitas e externas”. No entanto, há quem aponte que o momento das intrusões coincide com a altura em que se discutia no seio do executivo a possibilidade de indultos aos condenados do “Procés” - quase todos alvo da mesma espionagem - que foram concedidos a 22 de junho. O software Pegasus é de fabrico israelita e a empresa que o comercializa diz que só o vende a Estados. E o mês de maio de 2021 marcou também o ponto alto da tensão entre Espanha e Marrocos, com a ministra da Defesa a enviar o exército em resposta à entrada de cinco mil imigrantes em Ceuta.

O Centro Nacional de Inteligência espanhol foi apontado como o autor das intrusões aos telemóveis de mais de seis dezenas de políticos e ativistas catalães e bascos e é quem agora investiga as intrusões aos telemóveis dos governantes socialistas. A investigação vai estender-se aos restantes membros do Governo, com perícias aos seus telemóveis, mas também aos líderes políticos das comunidades autónomas.

Puigdemont solidário com governantes espiados

O ex-presidente do Governo catalão, atualmente no exílio, não perdeu tempo a anunciar a sua solidariedade com Sánchez e Robles por este “crime gravíssimo que ameaça a democracia”. No entanto, acrescenta a sua “máxima exigência” pelo facto de serem também responsáveis por nada se ter feito sobre o escândalo da espionagem aos políticos catalães, também conhecido por “Catalangate”. “A Moncloa precisou de esperar por uma infeção nos telemóveis do primeiro-ministro e da ministra da Defesa para considerá-lo um assunto de extrema gravidade e investigá-lo. Quando os catalães o denunciavam, não mereciam tanta consideração”, apontou o ex-governante que continua a ser perseguido pela justiça espanhola e que chegou a ser detido na Alemanha porque um dos seus colaboradores seguia no mesmo automóvel com o telemóvel infetado pelo Pegasus. Numa nota de humor, Puigdemont partilhou também o "poema visual" que fez para esta ocasião:

Por seu lado, o Governo catalão anunciou que irá fazer perícias periódicas aos telemóveis de cerca de meio milhar de titulares de cargos públicos. O diretor da agência de cibersegurança diz que esse serviço está também à disposição dos deputados que o solicitem.

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