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Governo catalão limita relações com Madrid após o "Catalangate"

O governo da Catalunha promete levar o escândalo da espionagem ilegal aos independentistas aos tribunais europeus e suspendeu a mesa de diálogo com o governo espanhol.
Pere Aragones, presidente do Governo da Catalunha. Foto publicada na sua conta Twitter.

Na reunião desta terça-feira, o governo catalão anunciou que restringirá ao mínimo essencial as suas relações com o governo central até que sejam dadas explicações e apontados os responsáveis pelo que já é chamado de “Catalangate”, o caso de espionagem através do software Pegasus das comunicações de governantes, deputados e outras figuras da campanha pela independência, bem como aos seus advogados.

A Generalitat lamenta que uma semana após o escândalo ter sido divulgado na imprensa internacional, o primeiro-ministro Pedro Sánchez ainda não tenha dado explicações sobre o assunto. Em resultado disso, a confiança entre governos é agora “quase nula”, afirmou a porta-voz do governo catalão, Patrícia Plaja, citada pelo Publico.es.

O governo catalão apoia a proposta apresentada por vários grupos parlamentares para a abertura de uma comissão de inquérito no Parlamento espanhol e quer alterar a lei de segredos oficiais e desclassificar todos os documentos relacionados e os contratos que existam entre os serviços de informações e a empresa israelita proprietária deste software espião.

A compra ilegal do Pegasus já tinha sido denunciada à agência anticorrupção espanhola em 2018, durante as investigações sobre a mafia policial liderada pelo comissário reformado José Manuel Villarejo. A denúncia continha documentos que provavam a compra ilegal do software por parte do então diretor adjunto de operações da Polícia Nacional, Eugeno Pino, e do seu chefe de gabinete, José Ángel Fuentes Gago. Além de espiar políticos catalães, o Pegasus foi também usado para gravar conversas de agentes dos serviços de informações espanhóis. Mas apesar da denúncia, a investigação sobre a aquisição do software nunca avançou.

Ao El Pais, fontes do Centro Nacional de Inteligencia (CNI) confirmam o uso do Pegasus para espiar os líderes independentistas, mas dizem tê-lo feito sob controlo judicial e aos seus telefones pessoais e não institucionais. Os serviços de informações contestam também o número de alvos desta espionagem, que afirmam ser bem menos que as mais de 60 pessoas cujos telemóveis a análise forense do centro canadiano Citizen Lab confirmou terem sido infetados ou alvo de tentativa de infeção.

À questão sobre a razão para usar este software e não os meios de escutas legais através das operadoras telefónicas, as mesmas fontes dizem que o Pegasus lhes permitia aceder às comunicações feitas pelos alvos no estrangeiro, além de intercetar mensagens enviadas e recebidas através do Whatsapp e Instagram. Na verdade, este software permite também ao autor da escuta controlar a câmara e o microfone do telemóvel, podendo escutar todas as conversas do seu portador, além de aceder à memória do telefone.

Ainda segundo o El Pais, o Pegasus permitiu à polícia espanhola deter Carles Puigdemont na Alemanha em março de 2018, através da infeção de um telemóvel de um dos seus acompanhantes, permitindo-lhes acompanhar o percurso do veículo onde seguia.

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