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TAP: Bloco quer travar despedimentos e critica regresso de consultores da BCG

Numa pergunta dirigida ao ministro Pedro Nuno Santos, o Bloco de Esquerda lembra que as anteriores recomendações da Boston Consulting Group “culminaram na descaracterização da TAP e provocaram inúmeros conflitos laborais”.
avião TAP
Foto Eric Salard/Flickr

A deputada bloquista Isabel Pires questionou esta semana o ministro das Infraestruturas e Habitação sobre o andamento do processo de restruturação da TAP. Lembrando que o Bloco continua a defender a nacionalização da empresa numa altura em que o setor da aviação atravessa uma mudança sem precedentes, a deputada afirma que o objetivo da restruturação deve ser o de “garantir que a companhia reforça a sua posição nos aeroportos nacionais, contribuindo positivamente para a economia e para a coesão territorial”.

Neste momento de pandemia, prossegue Isabel Pires, os despedimentos em curso na TAP são "uma irresponsabilidade social com graves consequências para estes trabalhadores, pelo que deve ser dada prioridade à redução de outros custos, designadamente a redução das taxas aeroportuárias pagas à ANA Aeroportos ou os leasings de aviões à AZUL”.

A deputada do Bloco desafia ainda o Governo a esclarecer “quais são os seus objetivos a médio-longo prazo para a TAP” e a identificar as “linhas vermelhas” para o plano de restruturação que pretende entregar no primeiro trimestre de 2021.

A coordenar esse processo está a empresa de consultoria Boston Consulting Group, cuja contratação o Bloco condena. “Foi essa mesma empresa que recomendou um conjunto de medidas que culminaram na descaracterização da TAP e provocaram inúmeros conflitos laborais”, lembra Isabel Pires, questionando Pedro Nuno Santos sobre se concorda com as recomendações feitas por aquela empresa em 2016.

Sindicatos já reuniram com consultores da BCG

Esta quarta-feira realizaram-se reuniões entre  administração e consultora com os sindicatos dos pilotos e do pessoal de voo. Para o Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC), citado pela agência Lusa, os estudos já feitos "apontam para a inexistência de excesso de pilotos, mesmo considerando uma redução da actividade", pelo que entende ser "fundamental manter um nível de pilotos que permita garantir uma retoma significativa da operação e uma massa crítica mínima da empresa que assegure a sua recuperação".

A TAP e Portugal

Tânia Ramos

Apesar de não considerar necessária a redução do número de pilotos ao serviço da TAP, o SPAC entende que a existir essa redução ela deve ser feita através de “mecanismos voluntários para se reduzir a disponibilidade de pilotos, como sejam as reformas antecipadas e as pré-reformas".

Também o Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC) reuniu com a consultora e um assessor do presidente do Conselho de Administração da TAP, Miguel Frasquilho, e informou os seus associados que “os consultores não apresentaram qualquer estratégia ou caminho para o futuro. Como fizemos questão de esclarecer, só é possível dar qualquer contributo quando nos forem apresentados os dados objetivos em que a reestruturação pretende assentar”. Dados que voltaram a ser requeridos à administração da emresa, que até agora se tem negado a disponibilizar.

O SNPVAC denuncia ainda que a restruturação já está em curso com o “não pagamento da garantia mínima no período de suspensão do contrato de trabalho” ou o “congelamento das progressões e evoluções salariais”, para além de “não renovação dos contratos de trabalho a termo” a muitos tripulantes.

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