Khattiya Sawasdipol, conhecido como o "She Daeng" (Comandante Vermelho) é atingido a tiro no centro de Bangkok, ainda ocupado pelos "vermelhos". Por Tomi Mori, de Tóquio, para o Esquerda.net.
A crise politica na Tailândia ameaça explodir outra vez com o atentado a Khattiya Sawasdipol, reverenciado pelos activistas vermelhos como o "She Daeng (Comandante Vermelho)". Na quinta-feira, um tiro atingiu-o no momento em que dava entrevistas à imprensa local e estrangeira, no centro de Bangkok, ainda ocupado pelos rebeldes vermelhos. (Ver artigo Tailândia: Vermelhos, a luta continua!)
O primeiro-ministro, Abhisit Vejjajiva, queria que os vermelhos desocupassem o centro de Bangkok, dando o prazo até terça-feira. Ameaçou os activistas, planeando medidas que seriam implementadas para desalojá-los, como o corte de energia, água e da rede de telemóveis. O governo fez um recuo embaraçoso, desistindo da ideia, alegando que, mais que atingir os activistas, essas medidas iriam afectar os moradores, hotéis, embaixadas, hospitais e os apartamentos de luxo localizados na área
Na quarta-feira, Abhisit anunciou o fim da proposta de realizar eleições em Novembro, tomando medidas para os militares ocuparem a área, fazendo retornar a profunda crise e, com ela, provavelmente, novas manifestações e confrontos.
O prolongamento da crise está a afectar profundamente a economia, como a área de turismo, já que a instabilidade afasta as ordas de turistas que visitam esse exótico pais; que possui as mulheres-girafas, que têm os pescoços alongados, praias paradisíacas e um lamentável turismo sexual, que obriga milhares de adolescentes a venderem os seus corpos aos dólares estrangeiros. Só nos últimos dias, o mercado financeiro viu a debandada do capital estrangeiro, que efectua uma massiva venda de acções, que já somavam 17,4 mil milhões de baht (539 milhões de dólares) na quarta-feira, tendência que iria continuar, segundo analistas, com a continuidade da crise, comprometendo o crescimento económico do país
Khattiya, o "Comandante Vermelho", é acusado pelo governo de ser um terrorista, responsável por dezenas de atentados a granada. Mas é, de facto, o dirigente militar dos vermelhos e o idealizador das barricadas, em estilo medieval, feitas com madeira, bambu, pneus encharcadas de querosene e arames farpados, que são usadas defensivamente pelos manifestantes na área ocupada desde Abril.
Os tiros deram origem a dezenas de confrontos entre os manifestantes que atiravam pedras e as forças armadas que responderam com tiros, matando um dos manifestantes. Tiros, explosões e choques continuaram durante a noite. Os militares cortaram a energia nalgumas áreas, bem como as redes de telemóveis.
A luta do povo tailandês pela democracia irá tomar novos contornos nos próximos dias.
CRONOLOGIA
MARÇO
12- Manifestantes agrupam-se em Bangkok
14- 150.000 manifestantes marcham em Bangkok
17- Manifestantes atiram garrafas contendo o seu próprio sangue no gabinete e na casa do primeiro-ministro, como símbolo de seu sacrifício pela democracia.
29- Dois dias de negociações entre o governo e manifestantes, divulgadas pela televisão, terminam sem solução.
ABRIL
3- Manifestantes ocupam Rachaprasong, centro comercial e área onde estão localizados vários hotéis e embaixadas.
6- 90 mil vermelhos organizam manifestações com caminhões e motos pelas ruas de Bangkok.
8- Governo declara estado de emergência após manifestantes forçarem caminho para o parlamento.
9- Manifestantes ocupam a Thaicom, tentando fazer voltar ao ar um canal de televisão bloqueado.
10- Confrontos com as tropas governamentais acabam com 25 mortos e mais de 800 feridos. O pior enfrentamento na Tailândia nos últimos 18 anos.
14- Manifestantes consolidam ocupação de Rachaprasong.
16- Quatro lideres vermelhos escapam, cinematograficamente, escalando os muros do hotel, ocupado pelos manifestantes, que a policia tentava tomar.
22- Uma mulher é morta e mais de 70 feridos com a explosão da granada lançada perto das manifestações pró-governo em Bangkok.
28- Um soldado é morto e 20 manifestantes feridos com enfrentamentos entre activistas e soldados que tentavam impedir uma carreata numa rodovia expressa na periferia de Bangkok
MAIO
3- Abhisit anuncia plano de 5 pontos, culminando com eleições em 14 Novembro.
4- Vermelhos respondem que aceitam, mas fazem uma série de objecções e negam-se a encerrar os protestos.
7- Um pesado ataque com tiros e granada à fortemente guardada área de Silom mata 2 polícias e fere 13, entre eles, 10 oficiais da policia.
11- Vermelhos dizem aceitar proposta do governo, mas fazem diversas exigências, entre as quais a de que o primeiro-ministro seja julgado pelas mortes do 10 de Abril.
12- Abhisit anuncia cancelamento do plano de acordo, que continha as eleições de 14 de Novembro.
13- Militares aumentam cerco ao centro, ocupado por 20 mil manifestantes, para prevenir que mais manifestantes se aglutinem após o chamamento feito pelos líderes dos vermelhos para que o contingente de manifestantes seja reforçado com mais activistas.
Atentado a Khattiya, o "Comandante Vermelho", e novos enfrentamentos em Bangkok . Um manifestante é morto.