Segundo os resultados oficiais, 76 por centro pronunciaram-se contra a subida salarial, tendo o “não” ganho em 19 dos 26 cantões.
A Suíça, ao contrário de Portugal, não estipula um valor para o salário mínimo nacional. Se a proposta fosse aprovada, o país passaria a ter o rendimento mínimo mais elevado do mundo.
Os salários mais baixos na Suíça correspondem, às atividades de limpeza, à restauração, à hotelaria, à venda e ao cuidado de pessoas, ocupações nas quais se utiliza amplamente o trabalho a tempo parcial.
Esta modalidade de emprego, muito comum na Suíça, penaliza o trabalhador que recebe proporcionalmente menos do que ganharia em um emprego a tempo completo.
Já com relação à aquisição de 22 aviões de combate tipo Gripen da Suécia, 50,9% dos cidadãos foram contra a medida, segundo resultados oficiais definitivos.
A despesa de 3 mil milhões de francos suíços (2,5 mil milhões de euros) para a compra desses equipamentos bélicos foi aprovada em setembro pelo Parlamento. O coletivo "Por uma Suíça sem Exército" conseguiu lançar uma iniciativa popular contra.
Esses aviões deveriam substituir os 54 Tiger F-5 que entraram em funcionamento há 30 anos e que o ministério da Defesa considera obsoletos e incapazes de garantir a segurança do espaço aéreo, por isso planeou comprar modelos mais recentes.
Além dos Tiger F-5, a Suíça conta com uma frota de caças supersônicos 32 F-A 18, cujo número é considerado insuficiente, mas que as autoridades acreditavam que podia ser bem complementado pelos 22 Gripen.
No entanto, entre os eleitores, os argumentos económicos pesaram mais do que as preocupações em matéria de defesa.
Os opositores à compra afirmavam que a Suíça não tem necessidade de gastar tanto dinheiro numa renovação de equipamento militar que não é prioritária.
Após confirmação do resultado do referendo sobre esta questão, os analistas indicaram que agora as autoridades devem "interpretar" o sentido do "não" expressado nas urnas começando por saber se foi uma rejeição ao avião sueco, em particular, ou aos novos aviões de combate, em geral.
O Parlamento suíço tem entre as suas opções a de lançar um novo processo de aquisição, que poderia levar até dez anos, ou esperar até 2025, quando tiver que renovar os F-A 18, e fazer uma só grande compra. Também existe a alternativa de simplesmente alugar aviões, embora isto será lido como contornar a vontade popular, que na Suíça existe a tradição e a obrigação legal de respeitar.