No último dia do mês mais quente desde que há registos na Suíça, a participação no protesto de sábado teve uma dimensão pouco comum no país, com a maior manifestação climática desde 2019. Mais de 60 mil pessoas saíram à rua em Berna para exigir ao Governo que tome medidas rápidas para combater a crise climática. O país perdeu nos últimos dois anos 10% da área de glaciares e as temperaturas médias estão a aumentar ao dobro do ritmo mundial.
"A indignação com a falta de ação em matéria de política climática e com as consequências devastadoras e mortais da crise climática mobilizou grupos de todas as idades e de todos os quadrantes da sociedade", afirmam os organizadores da manifestação, a Aliança Climática Suíça, que junta cerca de 140 associações.
Aujourd'hui, 60 000 personnes sont descendues dans la rue pour exiger la justice climatique. Nous voulons un changement écologique et social. Maintenant !#JusticeClimatiqueMaintenant pic.twitter.com/xWmS5Z9pz0
— Alliance Climatique Suisse (@alliance_climat) September 30, 2023
"Muita gente tem perdido a esperança porque o Governo está a aprovar novas estradas e a adiar a lei do clima. Mas hoje sentimo-nos poderosos", afirmou à Reuters um dos ativistas da Greenpeace presentes no protesto.
O Partido Verde defendeu uma mudança política nas eleições marcadas para 22 de outubro, por entender que este parlamento, "com a sua maioria burguesa, está a impedir a proteção climática rápida, consistente e eficaz".
Em junho, os suíços foram às urnas aprovar num referendo a “Lei Federal sobre os Objetivos de Proteção do Clima, a Inovação e o Reforço da Segurança Energética”. Apesar da oposição do Partido Popular Suíço, com o argumento de que as medidas fariam aumentar a fatura da eletricidade, a lei foi aprovada com 59% dos votos. Ela tem como objetivo atingir a neutralidade carbónica até 2050 e reduzir a dependência suíça de fontes de energia estrangeira, com uma redução faseada do consumo de petróleo e gás e um aumento da produção de energia de fonte renovável. Mas o Governo afirmou entretanto que ela só entrará em vigor em 2025, atrasando assim o objetivo de travar o quanto antes os efeitos negativos das alterações climáticas.