Suíça: 60 mil exigiram nas ruas mais ação para travar alterações climáticas

03 de outubro 2023 - 20:22

Manifestação de sábado em Berna mostrou a indignação face ao adiamento da lei do clima aprovada em referendo. O país viu os seus glaciares encolherem 10% em dois anos e a temperatura a subir ao dobro do ritmo mundial.

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Manifestação de sábado em Berna.
Manifestação de sábado em Berna. Foto Aliança Climática Suíça/Twitter

No último dia do mês mais quente desde que há registos na Suíça, a participação no protesto de sábado teve uma dimensão pouco comum no país, com a maior manifestação climática desde 2019. Mais de 60 mil pessoas saíram à rua em Berna para exigir ao Governo que tome medidas rápidas para combater a crise climática. O país perdeu nos últimos dois anos 10% da área de glaciares e as temperaturas médias estão a aumentar ao dobro do ritmo mundial.

"A indignação com a falta de ação em matéria de política climática e com as consequências devastadoras e mortais da crise climática mobilizou grupos de todas as idades e de todos os quadrantes da sociedade", afirmam os organizadores da manifestação, a Aliança Climática Suíça, que junta cerca de 140 associações.

"Muita gente tem perdido a esperança porque o Governo está a aprovar novas estradas e a adiar a lei do clima. Mas hoje sentimo-nos poderosos", afirmou à Reuters um dos ativistas da Greenpeace presentes no protesto.

O Partido Verde defendeu uma mudança política nas eleições marcadas para 22 de outubro, por entender que este parlamento, "com a sua maioria burguesa, está a impedir a proteção climática rápida, consistente e eficaz".

Em junho, os suíços foram às urnas aprovar num referendo a “Lei Federal sobre os Objetivos de Proteção do Clima, a Inovação e o Reforço da Segurança Energética”. Apesar da oposição do Partido Popular Suíço, com o argumento de que as medidas fariam aumentar a fatura da eletricidade, a lei foi aprovada com 59% dos votos. Ela tem como objetivo atingir a neutralidade carbónica até 2050 e reduzir a dependência suíça de fontes de energia estrangeira, com uma redução faseada do consumo de petróleo e gás e um aumento da produção de energia de fonte renovável. Mas o Governo afirmou entretanto que ela só entrará em vigor em 2025, atrasando assim o objetivo de travar o quanto antes os efeitos negativos das alterações climáticas.