Eurostat

Subida dos preços em Portugal é a maior da zona euro desde o início da guerra

31 de março 2026 - 15:11

Números do Eurostat revelam que foi em Portugal que os preços mais subiram em março em comparação ao resto da zona euro, atingindo quase o dobro da média registada nesses países.

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Bilhas de gás
Aumento dos preços portugueses da energia em março foram os maiores dos últimos 30 anos, desde que o Eurostat começou a série mensal. Foto Esquerda.net

A taxa de variação em cadeia do Índice Harmonizado de Preços no Consumidor, divulgado mensalmente pelo Eurostat, mostra que o aumento médio dos preços em Portugal no mês de março foi de 2,3% face a fevereiro. 

Esta subida colocou o nosso país na posição cimeira entre os países da zona euro que mais sentiram o impacto da guerra lançada por Trump e Netanyahu. A média do aumento de preços na zona euro foi de 1,2%, com a taxa portuguesa a atingir quase o dobro deste valor.

Apenas a Grécia (+2%) e a Letónia (+2,1%) ultrapassaram os 2% de aumento médio dos preços em março. Abaixo de 1% de aumento estão países como a Bulgária (+0,9%), os Países Baixos (+0,8%), a Finlândia (+0,7%), a Eslovénia (+0,4%), a Bélgica (+0,2%) e a Estónia, onde os preços até caíram 0,2% em março face ao mês anterior. A Espanha viu os preços aumentarem em média em 1,5% e a França em 1,1%.

Para encontrar uma subida mensal dos preços desta dimensão é preciso recuar aos meses após a invasão da Ucrânia pela Rússia, quando houve taxas mensais de 2,6% em março de 2022 e de 2,4% em abril do mesmo ano, aponta o semanário Expresso

No que diz respeito aos preços da energia, a subida do mês passado em Portugal superou a do período após a invasão da Ucrânia, quando as taxas superaram os 6% em alguns meses. Números bem abaixo do recorde deste mês de março,  com os preços da energia em Portugal a aumentarem 7,5% num mês, o maior aumento desde que há 30 anos o Eurostat começou a compilar os dados desta série.

Quanto à taxa de inflação homóloga, ou seja, face ao mesmo mês de 2025, em Portugal os preços subiram em março 2,7%, longe do objetivo da inflação de 2% fixado pelo Banco Central Europeu, mas a meio da tabela dos países da zona euro, que é encabeçada pela Croácia (+4,7%) e Lituânia (+4,5%), com mais oito países a terem taxas entre os 3% e os 4%. Abaixo dos 2% de inflação homóloga só estão a França (+1,9%), Itália e Chipre (ambos com +1,5%). A média da inflação homóloga em março fixou-se nos 2,5% na zona euro.