No final da reunião da Mesa Nacional do Bloco de Esquerda, José Manuel Pureza destacou o aumento do custo de vida como “o centro de preocupação do portugueses e da política do Bloco”.
Numa altura em que “a guerra alimenta a explosão dos preços do bens essenciais e dos combustíveis”, o coordenador do Bloco de Esquerda chamou a atenção para a “polarização social gritante entre os lucros obscenos de uma pequena elite concentrada nos setores da distribuição, energia e banca, e a grande maioria da população que vive com salários baixos e dificuldades crescentes”.
Nesse sentido, um dos eixos principais de intervenção do partido no próximo período será o de “afirmar uma alternativa política à explosão do custo de vida” através de uma campanha pública para denunciar “esta concentração da riqueza num pequeno punhado de grupo e empresas em detrimento da grande maioria que vive do seu salário” e propor medidas como a regulação dos preços, a taxação do lucros caídos do céu, a regulação do IVA ou o controlo público de setores essenciais da economia portuguesa.
A direção bloquista analisou também a natureza da guerra de Trump e Netanyahu contra o Irão, considerando-a “a expressão de uma aventura militar sem vergonha e sem limites, face à qual as instâncias europeias têm tido dificuldades em perceber qual deve ser o seu papel”, prosseguiu Pureza, defendendo que “Donald Trump considera a Europa um inimigo e por isso não faz sentido as instâncias europeias continuarem a prestar serviços a Donald Trump”. No caso português, a cedência da Base das Lajes “é um fator que só nos diminui, não engrandece”.
Nas próximas semanas o Bloco continuará a apoiar a criação de iniciativas plurais contra a guerra e estará disponível para “dar a mão a quem venha do campo da democracia para denunciar a perversidade e a selvajaria desta guerra”, como aconteceu na sessão pública realizada em Lisboa e continuará na sessão do dia 1 de abril no Coliseu do Porto.
O terceiro aspeto destacado por José Manuel Pureza da situação política atual foi a “dinâmica cada vez mais intensa da associação entre a direita tradicional e o Chega na retirada de direitos às pessoas em Portugal”, mas que passa também por uma “estratégia de captura do Estado, visível na discussão sobre lugares para o Tribunal Constitucional”.
Para o coordenador do Bloco, “está em causa a descaracterização do modelo constitucional português” com a ameaça de revisão constitucional com uma maioria de dois terços à direita. José Manuel Pureza desafiou o PSD a clarificar a sua posição e a vir dizer publicamente “se apoia ou não apoia uma revisão constitucional que de acordo com o Chega, Iniciativa Liberal e CDS se destina pura e simplesmente a descaracterizar o modelo democrático que resulta do 25 de Abril”. O Bloco estará assim presente numa “campanha contra a revisão constitucional e os ataques às liberdades que estão a ser feitos pelas direitas, de que o recente episódio da alteração da legislação sobre direitos da população trans é um exemplo”, prosseguiu Pureza, referindo também a “agressão ao pluralismo” que constitui o projeto de integração da agência Lusa na RTP.
Por fim, o coordenador do Bloco saudou a mudança de posição do PS sobre os vistos gold, após os socialistas terem anunciado que passarão a defender a sua revogação. No entanto, “o PS podia ter poupado o pais a 10 anos de especulação imobiliária e carestia de habitação induzida pelos vistos gold” a que o Bloco sempre se opôs. Quanto às medidas anunciadas pelo Governo sobre habitação com o objetivo anunciado de para “proteger o mercado”, Pureza contrapôs que “se há alguma coisa que tem que ser protegida, são aquelas pessoas que não têm dinheiro para pagar a renda de casa, que não têm dinheiro para pagar a prestação bancária”.