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"A solidariedade da União Europeia vem com juros no presente e cortes no futuro”

Numa audição no Parlamento Europeu, José Gusmão questionou os comissários acerca dos documentos que vieram a público sobre a resposta europeia à crise. E defendeu que a proposta está muito longe de ser suficiente para relançar a economia.
José Gusmão. Foto: GUE/NGL / Flickr
José Gusmão. Foto: GUE/NGL / Flickr

Na Comissão de Assuntos Económicos e Monetários (ECON) do Parlamento Europeu, o eurodeputado bloquista José Gusmão questionou o comissário europeu para a Economia, Paolo Gentiloni, sobre os documentos que vieram a público acerca do Fundo de Recuperação que está a ser preparado pela Comissão Europeia para relançar a economia.

Numa audição em que também participou o vice-presidente da Comissão Europeia, Valdis Dombrovskis, o eurodeputado bloquista começou por notar a incoerência dos comissários: “Disseram que a proposta que veio a público e que está nos jornais não está em cima da mesa, mas não nos dizem que proposta é que está em cima da mesa para ser trabalhada, e o pouco que dizem que está em cima da mesa é compatível com as propostas que vieram a público e que os senhores comissários dizem que não está em cima da mesa”.

Gusmão considera que “a proposta que veio a público não tem nada a ver com o Plano Marshall”, devido aos montantes “ridículos” e à “magia da alavancagem, que é pensar que os investidores privados, que estão a cortar no investimento que tinham planeado, vão proporcionar o financiamento adicional”. Além disso, lembra que o Plano Marshall incluiu financiamento a fundo perdido e perdão parcial de dívida aos países afetados, algo que não está previsto atualmente.

José Gusmão concluiu que “na União Europeia, a solidariedade vem com juros no presente e cortes no futuro”. Na resposta, Paolo Gentiloni admitiu que, embora a resposta europeia esteja a ser mais rápida do que na anterior crise, esta “precisa de ser reforçada”. Gentiloni disse estar “mais otimista” sobre a capacidade de chegar a consenso, apesar de as negociações  nas instituições europeias revelarem as profundas divisões entre países com objetivos distintos (e mesmo contraditórios) dentro da União Europeia.

 

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