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Social-democrata Pendarovski eleito presidente da Macedónia do Norte

Stevo Pendarovski, do partido governamental União Social-Democrata da Macedónia (SDSM), de centro-esquerda, foi eleito presidente da República da Macedónia do Norte, ao bater, na 2ª volta das presidenciais, a sua adversária Gordana Davkova, do conservador e nacionalista Partido Democrático para a Unidade Nacional Macedónia (VMRO-DPMNE). Por Jorge Martins.
Fotografia: commons/wikimedia.org
Fotografia: commons/wikimedia.org

O candidato vencedor obteve 53,6% dos votos válidos, contra 46,4% da candidata derrotada. Do total de votantes, registaram-se 3,6% de votos brancos e nulos. A participação foi fraca, tendo afluído às urnas apenas 46,7% dos eleitores.

Na 1ª volta, realizada no domingo de Páscoa, Pendarovski conseguira uma vantagem muito ligeira, ao obter 44,7% dos votos, tendo a sua adversária conseguido 44,2%. Por sua vez, o terceiro candidato, o independente Blerim Reka, quedou-se pelos 11,1%.

O voto da minoria albanesa (cerca de 25% da população do país) acabou por revelar-se decisivo. O maior e mais moderado dos quatro partidos que representam os eleitores albaneses no Parlamento, a União Democrática para a Integração (DUI/BDI), apoiou, desde logo, Pendarovski. Por seu turno, Reka é um dos representantes dessa minoria e teve o apoio de outros dois: os mais conservadores Aliança para os Albaneses (AA/ASH) e do movimento Besa. Na 2ª volta, a maioria dos que nele votaram optaram pelo novo presidente.

Estas eleições foram as primeiras realizadas após a aplicação do acordo de Prespa, assinado entre o país e a Grécia, que consagrou a mudança de nome deste, acrescentando “do Norte” a “Macedónia”, a sua anterior designação.

Contudo, a candidata derrotada representava a ala direita do seu partido, que se opôs com veemência ao referido acordo, aprovado no Parlamento “por uma unha negra” (tal como no grego, aliás), graças aos votos favoráveis de alguns deputados do VMRO-DPMNE, para permitirem uma futura adesão do país à UE e à NATO. Entre os principais opositores, contava-se o presidente cessante, Gjorge Ivanov, igualmente daquela formação direitista.

Davkova prometera fazer tudo para reverter a mudança de nome do país, através da realização de um novo referendo. Era, igualmente, contrária ao tratado de amizade assinado com a vizinha Bulgária, que normalizou as relações entre os dois Estados, e à extensão do uso da língua albanesa no país.

Com a eleição de Pendarovski, que havia sido derrotado por Ivanov em 2014, o primeiro-ministro Zoran Zaev, do SDSM, um dos arquitetos dos acordos de Prespa, terá, em princípio, a sua governação mais facilitada, bem como os seus objetivos na política externa, que passam pela adesão à NATO e à UE. Se a primeira estará para breve, a segunda terá de esperar, já que a atual crise por que passa a UE dificulta futuros alargamentos.

São, aliás, esses objetivos que o levam a encetar uma política de distensão face aos seus quatro vizinhos, com os quais tem relações difíceis: com a Albânia, por causa da discriminação da minoria albanesa, maioritária nas áreas fronteiriças entre os dois países, e onde existem algumas pretensões separatistas; com a Grécia, devido à questão do nome e de eventuais pretensões irredentistas face à região homónima do norte helénico; com a Bulgária, que considera os macedónios étnica e linguisticamente búlgaros, e com a Sérvia, onde os setores mais nacionalistas consideram o território macedónio setentrional a sua província do Sul. Daí que alguns políticos da Macedónia do Norte as designem como “as quatro lobas”.

Para já, os resultados eleitorais são uma boa notícia para a conturbada região balcânica, em especial por não colocarem em causa o acordo de Prespa, que tanto custou a conseguir, e o tratado com a Bulgária. Internamente, a plataforma do candidato vencedor é mais inclusiva das minorias, em especial a albanesa, mas também as menos numerosas turca (quase 4% da população), romani (perto de 3%) e sérvia (cerca de 2%), o que tenderá a diminuir as tensões internas.

Porém, o país continua a ser um dos mais pobres da Europa e a corrupção tende a ser endémica, o que dificulta a governação. Até agora, nem SDSM nem VMRO-DPMNE, sempre com o apoio parlamentar de uma ou mais formações albanesas, conseguiram resolver os graves problemas económicos e sociais que a Macedónia do Norte enfrenta. Por isso, o foco nas questões de natureza étnica serve bem o propósito de distrair a população.

Em 2020, haverá eleições legislativas, que serão um novo e difícil teste às políticas governamentais.

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