Segundo os dados mais recentes do INE, a classe profissional de gestores de topo, onde se inserem representantes do poder legislativo e de órgãos executivos, dirigentes, diretores e gestores executivos, foi a única que conseguiu aumentos salariais superiores à inflação em 2022. A inflação média em 2022 foi de 7,8% e o seu aumento salarial líquido foi de 9,6%, não sofrendo uma perda real de rendimentos.
Por seu turno, os salários do grupo profissional altamente qualificado, onde estão médicos, professores, cientistas apenas aumentaram 1% no ano passado.
Simultaneamente, os dados mostram ainda que o último trimestre do ano foi marcado por uma perda real no salário médio base de 5,2%, sendo ainda mais grave para a função pública (7,2%).
“Parece que os aumentos salariais só contribuem para a inflação quando é para a classe trabalhadora. Os gestores de topo estão imunes”, reagiu o eurodeputado bloquista José Gusmão.
Também esta quinta-feira, o vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE), Luis de Guindos, defendeu que os sindicatos europeus moderassem as exigências salariais para “evitar uma espiral entre os salários e os preços”.