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“Só com os CTT na esfera pública teremos serviços de qualidade”

O núcleo do Bloco do Grupo CTT opõe-se ao pagamento do subsídio de refeição através de cartão refeição, denuncia o incumprimento dos padrões de entrega, a gestão desastrosa da empresa e a delapidação de património e pessoal. E apela à adesão à greve de 29 de maio.
Foto de Paulete Matos.

Em comunicado, o núcleo alerta que “o correio continua a acumular em todos os centros de distribuição postal (CDP’s)”, não estando a ser cumpridos os padrões de entrega. Acresce que a “gestão tenta obrigar os trabalhadores a executarem as suas tarefas para além do seu horário de trabalho”, sem pagamento do respetivo trabalho suplementar. Os carteiros são obrigados a fazer três e quatro giros por dia, apesar de os CDP’s estarem atulhados de serviço. Em vários locais de trabalho, “a empresa recusa entregar ordens por escrito aos trabalhadores e trabalhadoras em vários locais de trabalho”.

Os trabalhadores denunciam ainda as más condições laborais e lamentam que, chamada a intervir, a Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) tarde em atuar “face a um sem número de ilegalidades praticadas”.

O núcleo do Bloco do Grupo CTT lembra ainda que “nenhum dos padrões de qualidade acordados com a ANACOM no ano de 2019 foi cumprido, prejudicando as pessoas e pondo em causa a dignidade dos trabalhadores dos CTT”. “Ao longo dos anos, assistimos à delapidação de património e pessoal, que põe em causa o serviço às populações”, lê-se na missiva.

De acordo com os trabalhadores, a gestão desastrosa traduziu-se na venda de todos os imóveis que têm mais valor; no aumento da importância do banco CTT, que absorveu, em cinco anos, perto de 200 milhões de euros; da utilização da rede de serviço postal universal para distribuir expresso e logística; no despedimento de várias centenas de prestadores de serviço e trabalhadores efetivos; na compra de duas empresas em risco (“Transporta” e “321 Crédito”); na diminuição da qualidade do serviço prestado; e na distribuição de dividendos no valor de 345 milhões de euros pelos acionistas.

No primeiro trimestre deste ano, os CTT registaram um aumento de receitas de 1,7 milhões de euros, comparativamente com o mesmo período de 2019. Mas a empresa quer agora impor unilateralmente o cartão de refeição, “com todos os prejuízos que este implica para os trabalhadores”. Tal alteração significa que, no futuro, “seja numa baixa, acidente de trabalho ou na aposentação/reforma, os trabalhadores veem essas retribuições diminuídas, aumentado o seu prejuízo ao longo dos anos. Além de que esta situação traduz-se numa enorme descapitalização da segurança social”, explicam.

“Só com a unidade de todos os trabalhadores e com a luta poderemos alcançar o que queremos”, sublinha o núcleo do Bloco do Grupo CTT, defendendo que “só com os CTT nacionalizados e na esfera pública teremos serviços às populações de qualidade”.

O núcleo apela, neste contexto, à greve geral no Grupo CTT de 29 de maio.

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