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SNS: “A intransigência estava do lado do governo”

Catarina Martins lembrou que uma das razões de desacordo entre Bloco e PS foi a contratação de mais médicos para o SNS e, nessa altura, o governo fez comunicados e “jogos de números” que a realidade agora desmente. O partido assegura que chumbaria outra vez orçamentos porque são necessários médicos nos hospitais.

À margem da Marcha do Orgulho de Lisboa este sábado, Catarina Martins respondeu às questões dos jornalistas sobre a crise nas urgências do Serviço Nacional de Saúde. A coordenadora do

Bloco de Esquerda lembrou que o partido “alerta para a falta de médicos especialistas há anos” e que “foi precisamente o SNS uma das matérias que fez o desacordo entre o Bloco de Esquerda e o Partido Socialista”.

Recordou ainda que “o Partido Socialista e o governo faziam comunicados para tentar desmentir o que o Bloco de Esquerda vinha a dizer há já alguns anos e que chamou intransigências às exigências básicas do Bloco de Esquerda para garantir que havia médicos especialistas nos hospitais em Portugal”.

Para ela, a realidade que hoje se vive nos hospitais portugueses prova que os “jogos dos números do governo” eram “isso mesmo, só jogos” porque “quando é preciso os médicos especialistas não estão lá”. Prova também que “a intransigência esteve do lado do governo que não quis contratar os médicos que os hospitais precisam, que acha normal que médicos que são colocados por empresas privadas dentro dos hospitais a recibo verde ganhem num turno o que um médico do SNS ganha num mês de trabalho”.

Reitara-se assim que “o Bloco de Esquerda tinha razão quando disse que recusaria os Orçamentos do Estado dos últimos dois anos que estavam a retirar médicos dos nossos hospitais”. E, garante, “chumbaríamos outra vez porque é mesmo necessário que haja médicos nos hospitais e o SNS não funcionar se não respeitarmos os profissionais”.

O que se passa é descrito pela porta-voz bloquista como uma “destruição do Serviço Nacional de Saúde” que “é grave” e que “está já a decorrer há anos”. Portanto, a questão que interessa discutir “não é da ministra é das políticas”. Mas sobre as medidas de Marta Temido considera que “ouvimos o mesmo discurso há três anos”, tempo em que “são prometidos concursos que ficam sistematicamente com um terço das vagas vazios” e “ouvimos falar de comissões, grupos de trabalho, estudos, planos de contingência”.

Seria preciso agora “deixar o discurso vazio e redondo e investir nos profissionais do Serviço Nacional de Saúde” que “têm sido incansáveis, estão exaustos e merecem melhor do que um discurso vazio que não garantirá a ninguém o acesso à saúde”. O que preciso é contratar médicos. O SNS está “sem médicos especialistas” porque muitos “estão a atingir a idade da reforma e não são contratados novos”.

Quando questionada sobre se “há há margem” para estas contratações, Catarina Martins não hesita: “claro que há margem! É uma questão de escolha, o SNS neste momento tem empresas privadas, dentro do SNS para contratar médicos à hora, que ganham num turno mais do que um médico do SNS ganha num mês inteiro”, insiste, para lembrar que “Portugal está a gastar muito dinheiro com a saúde” só que o faz “com as empresas privadas que lá colocam tarefeiros à hora”.

A dirigente política recorre igualmente à opinião de Fernando Araújo, ex-secretário de Estado do PS, responsável pelo Hospital São João no Porto, que escrevia há pouco tempo que “o que o governo estava a fazer era a enviar os médicos para fora do SNS”.

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